SÃO PAULO (Reuters) - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, afirmou nesta terça-feira que as pressões de tucanos para que ele ocupe o posto de vice em uma provável candidatura à Presidência do governador de São Paulo, José Serra, não funcionam. Ele também previu que ainda em fevereiro, após o Carnaval, o partido deve definir as candidaturas estaduais que darão palanque ao candidato presidencial.

Aécio, que desistiu em dezembro de disputar com Serra a indicação da sigla para concorrer à sucessão presidencial, afastou a possibilidade de que o tema da vice tenha sido tratado durante almoço em que participou na segunda-feira na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que contou com as presenças do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e do senador Tasso Jereissati (CE).

"Os companheiros do PSDB sabem que esse tipo de pressão comigo não funciona", disse Aécio a jornalistas durante inauguração em Belo Horizonte.

Ainda assim, considerou legítima a tentativa de o partido procurar promover uma "chapa pura" na corrida presidencial.

"Eu não chamaria de pressão. Há um sentimento que eu considero legítimo e tenho que reconhecer que é legítimo, por parte de vários companheiros, que gostariam dessa união", disse.

Aécio não descartou o nome do ex-presidente Itamar Franco para ocupar a vice, por indicação do PPS, legenda aliada do PSDB e do DEM. "É um nome qualificado para postular qualquer posto do Brasil, a começar pela própria Presidência da República", declarou.

O presidente do PPS, Roberto Freire, disse à Reuters, no entanto, que o partido se concentra em Aécio para ocupar o posto. "O partido luta para que Aécio seja vice. Itamar pode concorrer ao Senado", afirmou Freire.

O Democratas reivindica o posto, caso Aécio não aceite. "Sem Aécio, o vice é do DEM. Sem nenhuma dúvida", afirmou o ex-prefeito Cesar Maia, por e-mail.

ESTADOS

Aécio relatou que o principal tema da conversa de segunda, que não teve a presença de Serra, foi uma avaliação do quadro de candidatos nos Estados

"Definimos, todos nós, que o momento pós-carnaval, ainda no mês de fevereiro, é o momento definitivo para que essas negociações sejam concluídas", contou.

O trabalho com as potenciais candidaturas nos Estados foi dividido entre Guerra, Aécio e o próprio Serra.

Nos bastidores, um dos argumentos do governador paulista para protelar o anúncio da decisão de sua candidatura reside exatamente na falta de estruturação dos candidatos nos Estados.

O Rio de Janeiro é um dos principais entraves para o partido, onde o deputado Fernando Gabeira (PV), em quem o PSDB apostava para palanque de Serra, desistiu da disputa estadual.

Após o almoço na casa de FHC, Serra passou a ser tratado como "o candidato", apesar da expectativa de que confirme a candidatura apenas em abril, data em que tem que deixar o cargo de governador para concorrer.

O governador mineiro relatou que reiterou aos colegas de partido que vai se dedicar às questões de Minas Gerais, o que vai incluir o esforço para fazer de seu vice Antonio Anastasia o governador do Estado, enquanto ele próprio deve concorrer a uma vaga no Senado.

(Reportagem de Carmen Munari)

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