Aécio desiste da Presidência e deve disputar Senado

Por Carmen Munari SÃO PAULO (Reuters) - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), anunciou nesta quinta-feira que não vai concorrer à Presidência da República em 2010, deixando o caminho livre para a candidatura do governador José Serra (SP). Aécio deve disputar o Senado.

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"Ao deixar a condição de pré-candidato à Presidência da República, permito-me novas reflexões ao lado dos mineiros sobre o futuro, independente de nova missão política que por ventura possa vir a receber", disse Aécio ao ler carta endereçada ao partido, em Belo Horizonte, que não permitiu perguntas.

Apesar de o governador não ter indicado seu futuro político no pronunciamento, mais de uma fonte consultada pela Reuters confirmou sua intenção de concorrer a uma vaga no Senado.

Nos últimos dois meses, Aécio vinha cobrando a direção do PSDB por uma decisão sobre a escolha do candidato à Presidência ainda este mês e já indicava que poderia concorrer a uma vaga no Senado.

"A opção é o Senado", disse um auxiliar próximo.

Um parlamentar do círculo do governador afirmou que ele já pensa na presidência do Senado. Mas ao menos um correligionário declarou que ele pode mudar de idéia se Serra desistir da Presidência e optar por disputar a reeleição ao governo de São Paulo.

Serra, que não deu entrevistas nesta quinta-feira, defendia que o partido tomasse uma posição apenas em março, na véspera da data para desincompatibilização dos cargos públicos. Serra lidera as pesquisas de intenção de voto e deve enfrentar a ministra Dilma Rousseff (PT) na disputa presidencial.

Ao lado de Aécio no Palácio da Liberdade, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que o partido sairá unido da decisão.

"Quero dizer a vocês que o partido entende o gesto do governador como um gesto com o tamanho do governador --equilíbrio e solidariedade, no sentido da convergência e que essa convergência vai prevalecer, que vamos continuar juntos e vamos ganhar as eleições", disse Guerra, também em texto lido.

Aécio, de 49 anos, foi deputado, presidiu a Câmara entre 2001 e 2002 e está no segundo mandato como governador de Minas Gerais.

REPERCUSSÃO

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) acredita que a desistência de Aécio é benéfica ao partido.

"Isso facilita uma ação do partido já que não há uma disputa interna. Certamente o Aécio fez isso em nome da unidade. Havia uma certa angústia por conta da indefinição do partido", afirmou.

O Democratas, parceiro do PSDB na oposição ao governo Lula e que deve ocupar a vice na chapa tucana, vinha dividido sobre o melhor nome do candidato à Presidência. Parte apoiava Aécio na disputa interna e outros preferiam Serra.

"Agora ficou claro quem é o candidato, mas quem tem que anunciar a candidatura é o candidato. Mas o quadro fica mais claro, mais nítido. O juízo do tempo é do candidato", disse o senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado.

Para o senador Aloizio Mercadante, líder do PT no Senado, seu partido só tem a ganhar com a decisão de Aécio.

"Abre um grande espaço para nossa campanha em Minas Gerais... Politicamente, acho que é muito importante para nossa campanha nacional, amplia o nosso potencial de alianças políticas", disse Mercadante. "A campanha agora fica com a cara do PSDB e a cara do governo Fernando Henrique Cardoso. Tudo o que nós queremos é poder comparar."

(Reportagem adicional de Marcelo Portela, em Belo Horizonte, Fernando Exman e Ana Paula Paiva, em Brasília; Edição de Alexandre Caverni)

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