AEB vê queda de 9,9% nas exportações de minério de ferro em 2009

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A contribuição das exportações de minério de ferro para a balança comercial brasileira deve cair quase 10 por cento em 2009, segundo projeções da Associação Brasileira de Comércio Exterior divulgada nesta terça-feira. Em um momento em que nem as empresas se arriscam a projetar seus próprios números para 2009, ano ainda envolto em incertezas quanto ao desempenho da economia global, a AEB estimou que este ano as exportações de minério devem atingir 14,9 bilhões de dólares, contra os 16,5 bilhões de dólares em 2008, uma queda de 9,9 por cento.

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Quase a totalidade das exportações de minério de ferro no Brasil são feitas pela Vale, que no final do ano passado suspendeu 10 por cento da sua produção de minério, ou 30 milhões de toneladas, em função da retração da demanda.

Segundo a AEB, apesar da queda de volume, a alta do dólar vai ajudar a evitar uma derrocada maior das exportações, assim como possíveis aumentos de preço nos produtos. A entidade não descartou novas revisões se a situação econômica global se deteriorar ainda mais.

Contrariando a previsão de analistas de mercado, a AEB estimou que o preço do minério deve subir da média de 58,64 dólares a tonelada praticada em 2008 para 62 dólares a tonelada em 2009.

O minério de ferro vendido pela Vale subiu entre 65 e 71 por cento em 2008, aumento anunciado em fevereiro. Para este ano, devido a incertezas do mercado, a perspectiva é de que o fechamento de novos preços ocorra apenas no final do primeiro semestre.

Além do minério, a AEB previu queda de 26,6 por cento nos recursos arrecadados com a exportação de manganês, que passaria de um total estimado de 613 milhões de dólares para 450 milhões de dólares. As exportações de minério de cobre terão queda de 47,4 por cento, contribuindo com 630 milhões para a balança comercial, ante os 1,197 bilhão de dólares conseguidos em 2008.

Os aços laminados planos, que já registraram recuo nas vendas no final do ano, por conta da queda da venda das montadoras, principais clientes desse segmento, terão retração de 20,9 por cento nas vendas externas, segundo a AEB, de 2,2 bilhões de dólares para 1,7 bilhão de dólares.

Já as importações, de acordo com a entidade, "serão impactadas pela elevação de custos cambiais com a desvalorização do real e a contração das linhas de crédito em valor, prazo e elevação de custos, gerando menor demanda doméstica".

Segundo a entidade, esses fatores vão ocasionar crescimento de 3 por cento no Produto Interno Bruto do país. A taxa cambial, segundo a AEB, deve oscilar entre 2,30 reais e 2,50 reais.

Nesse cenário, a AEB disse esperar uma queda de 34,2 por cento na importação de combustíveis e lubrificantes, saindo de um gasto de 31,5 bilhões de dólares em 2008 para 20,7 bilhões de dólares em 2009.

Por outro lado, a exportação de gasolina deve cair 36,4 por cento, de 1,6 bilhão de dólares para 1,050 bilhão de dólares.

"A crise que assola o mundo globalizado deve se estender por todo o ano de 2009, começando a se dissipar lentamente em 2010, para retornar em 2011 ritmo de atividade econômica similar ao vigente em 2006", afirmou a AEB.

(Por Denise Luna)

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