Advogados indicam realização de grampos ilegais pela Polícia Civil do DF

BRASÍLIA - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas ouve nesta quarta-feira o depoimento de três advogados que afirmam terem sido grampeados clandestinamente, a partir de orientação da Policia Civil do Distrito Federal. Os advogados Luiz Freitas Pires de Sabóia, Ulisses Borges de Rezende e Guilherme Castelo Branco foram gravados pela ex-secretária da Comissão de Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), Janaína Faustina, em dois encontros.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

Em depoimento dado à CPI no mês passado, a ex-secretária afirmou que a delegada da 9ª. Delegacia de Polícia, Eneida Taquary, sugeriu e orientou a ex-secretária a gravar as conversas que teve com os três advogados. Agentes da Divisão de Inteligência da Polícia Civil teriam instalado os gravadores no corpo da Janaína. O intuito seria levantar informações sobre fraudes na realização de exames da Ordem na capital federal.

Segundo relator da CPI deputado Nelson Pelegrino (PT-BA), o depoimento dos advogados é importante, pois revela que houve uma escuta ambiental ilegal sem autorização judicial e sem anterior inquérito policial. Segundo o depoimento, as escutas foram deitas nos dias 12 e 14 de fevereiro, embora o inquérito só tenha sido aberto no dia 20 de fevereiro.

Outro ponto grave ressaltado por Pellegrino diz respeito ao vazamento do material interceptado. "Isso é muito grave. Estamos diante de uma escuta ilegal aparentemente orientada por autoridade policial, cujo conteúdo foi transcrito por um perito particular e tornado público", destacou. O conteúdo interceptado em conversas telefônicas a pedido da policia são legalmente sigilosas.

Advogados

"Fomos grampeados na condição de advogados e sem autorização judicial. É preciso investigar se a delegada agiu por interesse de alguém, até mesmo da própria OAB-DF", disse Ulisses Borges de Rezende. Ele colocou sigilo telefônico e bancário a disposição da CPI.

Já Luiz Freitas desmentiu informação publicada no jornal "Correio Braziliense" de 9 de março deste ano, de que teria intimidado a ex-secretária. Ele declarou que Janaína pediu um encontro em um bar da cidade onde ocorreram as gravações de conversas com o advogado. Ela se dizia abandonada por Thompson, disse referindo-se ao ex-vice-presidente da OAB-DF Thompson Flores, suspeito de envolvimento em fraudes da OAB-DF, favorecendo alunos na realização das provas.

Leia mais sobre: CPI dos Grampos

    Leia tudo sobre: cpi dos grampos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG