SÃO PAULO - Os advogados de Alexandre Nardoni entregaram, neste sábado, uma declaração de colação de grau emitida pelas Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG), onde ele concluiu o curso de direito. O documento será analisado pela justiça e, se aceito, permitirá que Alexandre continue em uma cela especial.

AE
Alexandre quando foi preso na quarta-feira
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os advogados do pai de Isabella Nardoni chegaram ao 13° Distrito Policial, localizado na avenida Casa Verde, zona norte da capital, por volta das 12h.

A Justiça havia dado até o meio dia para que os advogados apresentassem o documento, caso contrário, Alexandre perderia o direito de ficar em uma cela especial e seria encaminhado para um Centro de Detenção Provisória (CDP) já na segunda-feira.

Os defensores entregaram o certificado de colação de grau do cliente, que foi obtido em 2007 quando ele terminou o curso. No entanto, a Polícia Civil havia pedido o diploma de conclusão do ensino superior. Por isso, o documento ainda passará por avaliação. Enquanto isso, Alexandre permanecerá isolado em uma cela do DP.

Alexandre sofre ameaças

na sexta-feira, Alexandre sofreu pressão e ameaças por parte dos outros presos no 13º Distrito Policial da Casa Verde, na zona norte da capital, e, por medida de segurança, foi transferido para uma cela individual.

Alexandre volta a ocupar uma cela de 3 metros quadrados, a mesma que usou quando chegou ao DP, na última quarta-feira.

Na tarde de sexta-feria, Alexandre recebeu a visita do pai, Antonio Nardoni, e da irmã, Cristiane, que foram levar roupas e alguma comida para o pai de Isabella. De acordo com Antonio, "Alexandre está tranqüilo e se alimentando normalmente".

Aparentando tranqüilidade, confirmou que de fato seu filho foi isolado e está numa cela sozinho, separado dos outros presos. No entanto, falou que não chegou a ver a cela e, por isso, não soube precisar o tamanho dela.

Antônio Nardoni assegurou que o filho não está com medo dos outros detentos e que o isolamento não teria nada a ver com ameaças que ele possivelmente teria recebido na cadeia, mas disse que a medida foi tomada por causa da repercussão e da grande comoção que envolve o caso. Antonio Nardoni concluiu afirmando que os filhos do casal Alexandre e Anna Jatobá estão bem.

"Agora a justiça foi feita", diz mãe de Isabella

Reprodução
Ana Carolina Oliveira com a filha Isabella
Ana Carolina Oliveira, 24 anos, mãe de Isabella, desabafou na sexta-feira, pela primeira vez após a prisão do pai e da madrasta de sua filha. Em uma breve entrevista na porta de sua casa, na Vila Medeiros, na zona norte, a bancária que tinha acabado de chegar em um táxi, vinda do Rio de Janeiro, revelou acreditar que o casal assassinou Isabella. Além disso, afirmou que, agora, "a justiça foi feita". A entrevista foi concedida com exclusividade ao jornal "Estado de São Paulo".

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Qual é a sua opinião sobre a prisão do casal?

Vou viajar, só volto no domingo de manhã. Minha opinião depois da prisão é que a justiça foi feita. Começou a ser feita e eu estou confiando.

Para você é mais difícil saber que o próprio pai dela é o acusado de ter matado a filha de vocês?

Com certeza. Bem mais difícil.

E o que você espera a partir de agora?

A justiça. É a única coisa que me resta esperar agora.

Desde o começo você imaginava que eles pudessem ser os autores do crime?

Esperava que não fossem eles. Mas agora acredito. Não tem jeito.

Durante as investigações, muito foi falado sobre o ciúmes que Ana Jatobá sentia por você. Você tinha noção de que esse ciúmes pudesse chegar a esse ponto?

A essa proporção não.

Como será o Dia das Mães?

Eu acho que depois de sete anos esse será um dos dias mais difíceis para mim.

O que você achou das presas do Carandiru, já que lá há muitas mães, terem prestado essa homenagem a você?

Nossa. Eu não tenho explicação para isso. Fiquei surpresa e prefiro até não comentar. É muito difícil. O caso ganhou muita repercussão.

Você esperava que a morte da Isabella chocasse o País dessa maneira?

Não imaginava, e nem consigo mensurar. Mas estamos aí, está todo mundo batalhando, lutando e vamos continuar. Eu estou confiante de que a Justiça vai ser feita.

Você acha, então, que a Justiça começou a ser feita com a prisão deles?

Exatamente.

E se a justiça decidir soltá-los novamente?

Isso eu prefiro não responder até mesmo porque eu nem sei....Não quero comentar sobre isso, nem sobre as investigações.

Você acompanhou a entrevista deles na televisão? O que achou?

Eu vi, mas também prefiro não comentar. Agora eu peço desculpas, espero ter ajudado vocês de alguma forma, mas realmente está muito difícil.

O caso

Lecticia Maggi
Reconstituição do crime no prédio em SP
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".


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Isabella em vídeo


OPINIÃO


Paulo Moreira Leite:


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