Advogado nega que Polanski esteja disposto a ir aos EUA

PARIS ¿ Um advogado de Roman Polanski negou na quarta-feira que o cineasta, que se encontra detido na Suíça, possa optar por enfrentar a justiça nos Estados Unidos, onde é procurado pela Justiça, a fim de evitar um procedimento prolongado de extradição. Outro integrante da equipe que cuida do caso de Polanski tinha aparentemente sugerido que o diretor premiado com o Oscar estava disposto a ir voluntariamente aos EUA.

Reuters |

"Se o procedimento se arrastar, não é impossível que Roman Polanski possa optar por ir se explicar nos Estados Unidos, onde há alguns argumentos em seu favor", disse o advogado Georges Kiefman na rádio francesa Europe 1.

Mas o advogado francês de Polanski, Herve Temime, disse que não existe a hipótese de o cineasta desistir de lutar contra a extradição.

"Não houve mudança alguma de estratégia", disse Temime à Reuters, negando que haja alguma discordância interna na equipe que prepara a defesa legal de Polanski. "Houve algumas declarações de Kiejman que foram interpretadas incorretamente".

Polanski foi preso na Suíça em 26 de setembro em conexão com uma denúncia de abuso sexual em 1977, e esta semana uma corte rejeitou seu pedido de libertação sob fiança, alegando que haveria forte risco de ele fugir.

As autoridades norte-americanas têm até o final de novembro para formalizar o pedido de extradição. Fontes judiciais dizem que, se Polanski contestar o processo de extradição, este poderá se arrastar por anos.

Polanski, de 76 anos, tem cidadania dupla, francesa e polonesa. As autoridades suíças o prenderam quando ele foi a Zurique para receber um prêmio num festival de cinema.

Em 1976 ele admitiu que fez sexo com uma menina de 13 anos e passou 42 dias na prisão, passando por exames psiquiátricos. Mas fugiu dos EUA em 1978 antes de ser sentenciado, porque temia que o juiz passasse por cima do acordo judicial feito, pelo qual cumpriu 42 dias atrás das grades, e o sentenciasse a 50 anos de prisão.

Polanski, que fez sucesso nas bilheterias com filmes como "O Bebê de Rosemary" e "Chinatown", teve uma carreira de sucesso na Europa e recebeu um Oscar de melhor diretor por seu filme de 2002 "O Pianista", que fala sobre o Holocausto.

Ao rejeitar seu pedido de liberdade sob fiança, a corte suíça disse que o cineasta teria motivação forte para fugir, já que uma possível sentença de prisão nos Estados Unidos significaria uma separação dolorosa de sua mulher francesa e dos dois filhos deles, de 11 e 16 anos de idade. A corte também disse que Polanski possui meios financeiros que lhe permitiriam fugir.

(Reportagem de James Mackenzie e Elizabeth Pineau)

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