Advogado de pais de Gabriel solicita prisão preventiva de funcionários da creche

SÃO PAULO - O advogado dos pais do bebê Gabriel, de 7 meses, Ângelo Carbone, afirmou, nesta quinta-feira, que solicitou ao delegado do caso, Sérgio Alves, a prisão preventiva dos funcionários da creche Pedacinho do Céu, onde o menino estava quando morreu de parada cardiorrespiratória no dia 25 de julho.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

Segundo Carbone, a dona da creche, Suzana Aparecida Leal, e os funcionários do estabelecimento estariam coagindo a família da criança e pessoas que poderiam ser testemunhas no caso. Ele conta que a família teria sido amedrontada com um processo de danos morais.

Em sua solicitação ao delegado do caso, Carbone pede o indiciamento formal de todos os funcionários e que seja enviado um ofício à prefeitura para saber se a creche está em situação regular. O advogado ainda pede que se faça uma perícia técnica para saber se o local onde o menino morreu foi preservado.

O advogado decidiu entrar com a solicitação após o depoimento de Suzana e seus funcionários . Ela prestou depoimento no último dia 30 e seu advogado trazia em mãos a ficha médica e o diário do menino Gabriel, nos quais, segundo os advogados da proprietária, não constava nenhum registro sobre problemas de refluxo do menino.

Ainda segundo os advogados de Suzana, não existe prova contundente de que qualquer funcionário sabia dos problemas de refluxo do menino e a funcionária Amanda acusada pelos pais não seria funcionária responsável por cuidar das crianças, mas exercia funções administrativas.

A criança morreu, por volta das 12h do dia 25 de julho, após ter almoçado. Segundo o pai de Gabriel, Júlio Cesar Ribeiro, a creche sabia do problema de refluxo da criança e não foi cuidadosa. "A funcionária Amanda sabia que ele tinha refluxo, eles foram avisados", disse. Em depoimento nessa terça-feira, ele reiterou à polícia que houve negligência da creche na morte de seu filho.

Meningite viral

Um exame realizado pelo Hospital Nipo-Brasileiro no bebê Gabriel comprovou que ele tinha meningite viral. De acordo com nota divulgada pelo hospital, após a constatação da doença, os pais foram notificados e um comunicado foi emitido ao Sistema Único de Vigilância Sanitária de Vila Mariana, já que a patologia é de notificação compulsória.

Ainda segundo o comunicado do Hospital Nipo-Brasileiro, só o laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML) deverá esclarecer se a morte do bebê foi influenciada pela meningite.

Versões para o caso

Os pais alegam que houve negligência por parte dos empregados já que, segundo eles, quando a criança foi entregue à creche estava bem de saúde. Segundo a mãe do bebê, Gabriel foi entregue às 11h à escola e estava feliz, contente e sem nenhuma doença.

AE
Familiares do bebê Gabriel protestam em frente à creche

A direção da creche nega as acusações e classifica o caso como "fatalidade". Por meio de nota, ela informa que a "escola (...) é personagem de uma fatalidade". "As escolas legalizadas como a nossa, passam por avaliações freqüentes dos inspetores da prefeitura que constatam a conformidade de nossas práticas", destaca a creche.

"As acusações à escola como pré-ciência de maus tratos, má qualidade de alimentação, falta de funcionários, dentre outras barbaridades que estão sendo veiculadas, se analisadas com um pouco de bom senso e razão, percebe-se que não encontram respaldo e são fruto de oportunismo e falta de sensibilidade", acrescenta, por meio de nota. ( leia a íntegra )

Segundo a família, a morte do bebê só foi constatada quando o pai foi buscá-lo. Ele conta que esperou por cerca de 5 minutos até uma funcionária avisá-lo que Gabriel "estava roxo". Júlio chegou a levar o filho para um hospital, mas, após tentativa para reanimar a criança por 40 minutos, ela não resistiu e morreu.

De acordo com a família, durante os procedimentos para reanimar Gabriel, os médicos encontraram restos de alimentos no bebê, o que dificultou a entubação.

A creche destaca que adotou todos os procedimentos necessários de segurança com Gabriel "como alimentação e descanso na posição vertical e arroto, por exemplo". Ainda em sua defesa, a creche informou que comunicou ao Corpo de Bombeiros e reiterou que a morte da criança foi uma fatalidade.

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