SÃO PAULO - O julgamento de dois dos principais líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, começou às 15h desta quinta-feira. Mas o advogado de Marcola, Roberto Parentoni, abandonou a sessão alegando não ter tido acesso aos autos. Com isso, apenas Julinho Carambola é julgado. Uma nova data deve ser marcada para julgar Marcola.

AE
Marcola em 2006, quando foi preso

Os dois são acusados pela morte do juiz corregedor dos presídios de Presidente Prudente, Antonio José Machado Dias, em 2003.

O júri popular acontece no Fórum da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, e é presidido pelo juiz Alberto Anderson Filho, o mesmo do julgamento de Suzane Von Richthofen e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.

Às 18h10, a segunda testemunha de acusação terminou seu depoimento. Trata-se do delegado Rui Ferraz Fontes. Além dele, outro delegado prestou depoimento: Godofredo Bittencourt Filho. Na sequência, três testemunhas de defesa são ouvidas. 

Além de um bilhete apreendido por agentes prisionais no qual um preso informava Marcola sobre a morte do juiz, o Ministério Público dispõe, por exemplo, dos depoimentos de três ex-integrantes da facção que ocuparam posições de comando.

"O Júlio é uma vítima da vaidade de muitos e da falta de escrúpulo de alguns. Estou absolutamente convicto de que ele é inocente", defendeu o advogado Cláudio Márcio de Oliveira. Ele disse que seu cliente foi absolvido da acusação de fazer parte do PCC - de fato, não só ele, como também Marcola foi absolvido dessa acusação em 2006, antes dos ataques de maio feitos pela facção no Estado.

O julgamento

Depois de ouvir testemunhas, verificar as provas e assistir aos debates, os jurados respondem a cinco questões. Na primeira e na segunda decidirão se houve crime. A pergunta decisiva é a terceira, quando os sete jurados vão responder se absolvem ou não o réu. Caso decidam condená-lo, eles vão decidir se há circunstâncias que tornam o crime mais grave (motivo torpe e se houve emboscada).

O caso

O juiz Antonio José Machado Dias foi assassinado a tiros por volta das 18h do dia 14 de março de 2003, durante uma emboscada quando saia do Fórum de Presidente Prudente. O carro dele foi fechado por outro veículo, onde estava Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, que disparou contra o juiz. Ele levou tiros na cabeça, no braço e no peito e morreu na hora.

Marcola e Julinho Carambola são apontados como os mandantes do crime. Na época do crime, Dias fiscalizava o Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes, considerado um dos mais rígidos do País. No local, só eram permitidas duas horas diárias de banho de sol e os detentos não podiam ter acesso a jornais, revistas e nem receber visita íntima. Por essa razão, o Ministério Público considera que os dois deram ordens para que outros comparsas matassem o juiz.

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