Advogado de empresário nega suspeitas e critica operação policial

Defensor diz desconhecer paradeiro de Paulo Cavalcanti, dono da Sasil e investigado na Operação Alquimia

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Alguém vendeu informação sobre sonegação de R$ 1 bilhão. Nos autos (do inquérito) e na decisão (que decretou prisão de Cavalcanti) ela não está. A sociedade cria uma imagem de realidade não-fundamentada e depois ninguém consegue reverter isso”, diz advogado

O advogado do empresário Paulo Sérgio Costa Pinto Cavalcanti, apontado pela Polícia Federal e Receita Federal como líder de suposto esquema de sonegação fiscal, negou suspeitas contra seu cliente e criticou a operação deflagrada nesta quarta-feira (17) pelos órgãos federais.

O advogado Gamil Föppel disse desconhecer o paradeiro de Cavalcanti, alvo de um dos 31 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça Federal em Juiz de Fora (MG) dentro da Operação Alquimia . O empresário foragido é dono da Sasil , uma das principais distribuidoras de produtos químicos do País. Nesta quarta-feira, um irmão de Cavalcanti disse ao iG que ele está no exterior.

O grupo, que presta serviços para grandes empresas petroquímicas, como Braskem e Petrobras, é suspeito de montar uma engenharia empresarial, com empresas de fachada e outras sediadas em paraísos fiscais, para burlar o pagamento de impostos. O prejuízo ao erário, segundo a Receita e a PF, pode chegar a R$ 1 bilhão.

Föppel disse que, como não há acusação formal contra seu cliente, não é necessário falar em inocência. “O ônus da prova é da acusação”, disse. O advogado apontou “perplexidades” na operação – criticou o fato de as “medidas de força”, como prisões, terem sido realizadas nove anos após o início da investigação, que começou em 2002.

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Ilha confiscada na baia de Todos os Santos: advogado diz não saber se ela pertence ao empresário
Ele afirmou ainda que Cavalcanti nunca foi chamado a prestar esclarecimentos pela PF ou pela Receita. Disse que as declarações de imposto de renda de seu cliente são regulares e questionou a estimativa de prejuízo de R$ 1 bilhão divulgada pelos órgãos federais.

“Alguém vendeu informação sobre sonegação de R$ 1 bilhão. Nos autos (do inquérito) e na decisão (que decretou prisão de Cavalcanti) ela não está. A sociedade cria uma imagem de realidade não-fundamentada e depois ninguém consegue reverter isso”, disse Föppel, para quem Cavalcanti está sendo alvo de “escárnio” público.

O advogado afirmou que ainda estuda quais medidas irá tomar em defesa do empresário. Não negou nem confirmou se Cavalcanti é o dono da ilha na baía de Todos os Santos confiscada na operação. “Sou advogado dele como pessoa física, não conheço o patrimônio dele.”

Na ilha de 20 mil metros quadrados, estimada em R$ 15 milhões, policiais e auditores da Receita apreenderam duas armas, jet-skis, lanchas, quadriciclos, motos, carros, 2,5 quilos em barras de ouro e de prata e um cofre. Um helicóptero da Receita foi usado para alcançar o local.

Segundo informações do jornal baiano “A Tarde”, Paulo Sérgio Cavalcanti foi um dos denunciados por homicídio culposo (sem intenção) no caso conhecido como “tragédia de Santo Amaro”, a morte, por ingestão de cachaça contaminada por metanol, de 16 moradores do município do Recôncavo Baiano, em 1990. A Sasil teria vendido embalagens contaminadas com metanol para um distribuidor da bebida. O empresário recebeu a alcunha de “Paulinho Metanol” após o episódio.

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