Advogado de casal Nardoni confirma que pode entrar com habeas-corpus direto no STJ

SÃO PAULO - O advogado Marco Polo Levorin, um dos defensores de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, afirmou ao Último Segundo, nesta quarta-feira, que pode entrar com um pedido de habeas-corpus antes mesmo do julgamento da decisão na 4ª Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo. Conversamos sobre isso ontem também e, se formos entrar (pedido de habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília), pode ser nesta semana, até mesmo amanhã, disse. Na terça-feira, o desembargador Caio Canguçu de Almeida negou o pedido de habeas-corpus para o casal, que está preso desde o dia 7 de maio.

Redação |

AE
Anna Jatobá e Alexandre quando foram presos
Em entrevista à "Globonews", ele afirmou ainda que a defesa tem sustentado que os requisitos para a prisão preventiva não se fazem presente.

O desembargador amparou sua decisão dizendo que a prisão é importante para manter a ordem pública, em razão do clamor das pessoas neste caso e da gravidade do crime. No entanto, para os advogados, estes argumentos não são satisfatórios. "Nós avaliamos que estes requisitos não são suficientes. Estamos confiantes, inclusive, no julgamento do mérito do habeas-corpus (na 4ª Câmara do Tribunal de Justiça)", afirmou.

Levorin disse que ainda não esteve com o casal, mas que há a previsão de uma visita. "Queremos comunicar o teor da decisão e verificar em situação em que se encontram", disse, sem revelar porém o dia em que se encontrará com os dois.

Sobre a possiblidade de Alexandre ser tranferido mais uma vez, caso o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos (CDP) 2 não apresente segurança ao preso, ele afirmou que cabe ao Estado zelar pela integridade física do pai de Isabella. "A defesa vai acompanhar, fiscalizar, se for necessário, vamos questionar. Se não, vamos apenas acompanhar', explicou.

O advogado reafirmou que a defesa trabalha desde o começo com a negativa de autoria e acredita que as provas apresentadas até o momento são precárias.

Alexandre passa a noite em cela isolada

Alexandre Nardoni, acusado de ter matado a filha, passou a madrugada desta quarta-feira no Centro de Detenção Provisória (CDP), em Guarulhos, em uma cela de  isolada dos demais presos. Segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária, ele ficará 10 dias em regime de observação e só após este período será integrado aos outros detentos. Neste tempo, Alexandre só poderá receber visitas dos advogados

Alexandre saiu algemado, por volta das 16h de terça-feira, do 13º Distrito Policial, na Casa Verde, onde estava preso desde a última quarta-feira, 7.

Segundo o delegado Aldo Galeano, do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), a transferência  aconteceu em razão das ameaças que ele vinha sofrendo no local.

Galeano explicou que o CPD 2 de Guarulhos foi escolhido por ser um dos mais seguros do Estado. "Lá a segurança é maior, caso Alexandre não se adapte ao presídio será transferido novamente. E isso acontecerá quantas vezes for necessário", afirmou o delegado durante entrevista coletiva à imprensa na tarde de terça-feira.

Ele disse ainda que a defesa tem mantido uma postura ética e correta. "Infelizmente, não posso dizer o mesmo dos familiares do casal", afirmou referindo-se ao pai de Alexandre, Antônio Nardoni.

Para o delegano, Nardoni deveria "se limitar a defender o filho e parar de dar entrevistas querendo virar estrela". O avô de Isabella, teria dito à imprensa que a polícia falhou em não cumprir o acordo feito com a família.

"Não faço acordo com preso. Questionaram o fato do casal ter sido levado em um carro sem películas (insulfilm) nos vidros. Eles foram deste modo porque eu quis. Eles (os parentes do casal) não determinam qual carro eu devo usar. O Alexandre vai aonde e como eu quero", enfatizou Galeano.

Laudos da Perícia

De acordo com o Dr. José Antônio de Morais, perito e diretor do Núcleo de Pesquisas de Crimes contra Pessoa do Instituto Médico Legal (IML), o laudo de reconstituição da morte de Isabella deve ficar pronto em 15 dias.

Além disso, o perito ressaltou que as manchas do carro de Alexandre possuem o perfil genético (amostras de sangue contendo outras substâncias orgânicas) de Isabella.

"Através das amostras do carro, do corredor e do apartamento, conseguimos encontrar o perfil genético da menina", confirmou Morais.

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