Advogado de Alexandre e Anna Carolina diz que investigação da polícia contraria perícia

SÃO PAULO - Após a entrega do inquérito e o pedido de prisão preventiva de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá - indiciados pela polícia pela morte de Isabella Nardoni no dia 29 de março-, o advogado Marco Polo Levorin, que faz a defesa do casal, criticou o trabalho da polícia, dizendo que as investigações contradizem alguns dos resultados dos laudos feitos pela perícia. A declaração foi dada em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira. Levorin disse que há informações periciais não verdadeiras que foram ditas pelos delegados. O advogado também confirmou ainda que a defesa vai contratar peritos para analisar os laudos anexados ao inquérito.

Carolina Garcia, do Último Segundo |


"Depois que tivemos contato com os laudos, consideramos as provas vulneráveis, absolutamente vulneráveis. Ficamos surpresos, no melhor sentido da palavra. Caracterizamos o laudo probatório como frágil", afirmou Levorin, insinuando que o inquérito feito pela polícia vai ajudar na defesa do casal. Ao ser questionado sobre a inocência do casal, o advogado afirmou que para a defesa "não existe dúvida da absolvição dos dois".

Levorin disse ainda que não acredita que a Justiça vá decretar a prisão preventiva do casal, conforme pedido encaminhado hoje pela polícia junto ao inquérito relativo ao caso. "É preciso que haja vários requisitos técnicos. Não acreditamos na decretação da prisão preventiva", afirmou, em encontro com jornalistas.

Contudo, caso a prisão de Alexandre e Anna Jatobá seja decretada, a defesa adiantou que entrará com novo pedido de habeas-corpus. "Se a prisão for decretada, entraremos com novo pedido", ressaltou.

Levorin confirmou que a defesa irá contratar um perito profissional para que ele "faça a análise de alguns aspectos que não foram esclarecidos pela polícia. Ele terá total liberdade e respeitaremos a sua metodologia".

Possibilidade de fuga

"Ficamos atônitos, perplexos e surpresos, ao ouvirmos as especulações de que o casal teria planos de fuga no momento em que foi feito o pedido de prisão preventiva. Não existe essa possibilidade", afirmou Levorin. "O Brasil sabe onde o casal está. Na hipótese de qualquer pedido de prisão, eles irão se apresentar".

A defesa ainda ressaltou a comprovação, pela própria imprensa, de que não existe nenhuma reserva feita em nome do casal em qualquer hotel fora do País. O advogado completou dizendo que o casal tem tido "uma postura exemplar" e continua à disposição da Justiça.

Prisão preventiva

O pedido de prisão preventiva foi encaminhado à Justiça pela polícia junto ao inquérito que reúne os resultados das investigações do caso e será analisado pelo promotor Francisco Cembranelli. O casal é suspeito de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa). Isabella foi agredida e jogada do sexto andar do Residencial London, na zona norte de São Paulo, no dia 29 de março.

O inquérito foi entregue no Fórum de Santana, na manhã desta quarta, por dois policiais do 9º DP, em carro do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).

Agora, a promotoria irá analisar o caso e, a partir daí, tem 15 dias para apresentar ou não a denúncia à Justiça contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, principais suspeitos pelo crime. Sendo apresentada, um juiz aceita ou não a denúncia e começa o processo judicial.

O promotor que acompanha o caso, Francisco Cembranelli, disse que irá analisar o inquérito durante o feriado prolongado e que na próxima semana, daria um parecer final.

Isabella Nardoni
Anteriormente Cembranelli já havia dito que iria pedir a prisão preventiva do casal, o que foi feito nesta quarta pelos delegados.  

Nos últimos dois dias, os delegados Calixto Calil Filho e Renata Pontes, ambos no 9º DP, distrito que investiga o caso, ficaram analisando todo o processo e resumiram, em cerca de 20 páginas, os 64 depoimentos, 950 páginas do inquérito policial e 100 páginas de laudos periciais.

Principais suspeitos

Peritos informaram que o tempo declarado por Alexandre para subir com Isabella da garagem do edifício, deixá-la no quarto e voltar para pegar Anna e os outros dois filhos seria insuficiente para que uma terceira pessoa entrasse no apartamento, assassinasse a menina e a jogasse pela janela. Além disso, foram encontrados, na camisa que Alexandre usava na noite do crime, vestígios da tela de proteção que foi cortada para jogar Isabella.

Reprodução
Mãe e Isabella em foto de arquivo
Os advogados do casal, no entanto, contestam as provas obtidas pela polícia e dizem que farão uma perícia paralela para provar a fragilidade das acusações.  Um dos advogados, Marco Polo Levorin, afirma que tem como provar que uma terceira pessoa entrou no apartamento. Os laudos são favoráveis, disse. Há muitos fatores e informações que ainda não vazaram para a imprensa e ajudam a provar a inocência do casal. Falaremos no momento apropriado. Posso dizer que os laudos apresentam aspectos importantes para a defesa, e o conjunto probatório é frágil, completou.

Dados conflitantes

Além disso, duas incertezas com relação à perícia deixam a defesa mais confortável para questionar os laudos. O delegado do caso, Calixto Calil Filho, em interrogatório ao suspeito, no dia 18 de abril, usou a informação de que haveria mancha de vômito na camisa dele e que esse vômito seria de Isabella. Os laudos, porém, não podem afirmar com certeza que aquela mancha, encontrada na bermuda e não na camiseta, amarelada era vômito. Em depoimento, Alexandre disse desconhecer a informação. 

Outra contradição é com relação ao sangue encontrado no carro. Por ter sido encontrada uma pequena quantidade não foi possível afirmar que o sangue era de Isabella. Para o promotor do caso, Francisco Cembranelli, há outras maneiras de provar que o sangue era sim de Isabella. Uma delas é a própria disposição, fornecida pelo casal, da família dentro do Ford Ka da família.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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