Advogada de Eliana Tranchesi entra com pedido de habeas-corpus no TRF

SÃO PAULO - A advogada de Eliana Tranchesi, uma das sócias da Daslu presa nesta manhã, Joyce Roysen, afirmou que entrou com um pedido de habeas-corpus para sua cliente às 13h desta quinta-feira, no Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo. Ela disse ter esperanças de que o resultado saia ainda nesta quinta. Eliana estava em sua casa, na zona sul da cidade, quando foi levada para o Presídio Feminino do Carandiru.

Carolina Garcia, do Último Segundo |

Carolina Garcia
Reproducação da carta de Eliana
De acordo com Joyce, o pedido tem base na ilegalidade da prisão, considerada por ela injusta. A advogada diz que a decisão judicial é "indiscutivelmente injusta e errada sobre todos os ângulos jurídicos". "[A sentença] é um exagero, uma análise direcionada e tendenciosa. Temos fé, acreditamos na Justiça que essa decisão será modificada."

Um laudo médico foi divulgado, informando que Eliana enfrenta um tratamento radioterápico e quimioterápico para tratar um câncer. O médico que assina o relatório, o oncologista dr. Sérgio Daniel Simon, do Hospital Albert Einstein, recomenda que sua paciente fique em "prisão domiciliar" para passar por "cuidados médicos apropriados". O estado de saúde de Eliana é um dos argumentos utilizados pela defesa a ser favor.

Sobre as condições de sua cliente na prisão, a advogada disse que a empresária "não está bem". "O câncer atingiu a coluna, ela não consegue sentar em local duro". Porém, Joyce afirmou que não sabe dizer se a presa permanece sozinha ou acompanhada na cela.

Eliana Tranchesi foi condenada a 94,5 anos de prisão. Três anos são pelo crime de formação quadrilha, 42 pelo crime de descaminho consumado (importação fraudulenta de um produto lícito), 13,5 anos por descaminho tentado e mais 36 por falsidade ideológica.

"Nós temos a convicção absoluta que se trata de uma condenação injusta. A pena foi criada a partir de uma multiplicação de números absurdos sem fundamento jurídico". Para ressaltar a sua posição, a advogada comparou a sentença de Eliana com casos de grande repercussão na imprensa, como Suzane von Richtofen (condenada a 39 anos), Fernandinho Beira-Mar (6 anos), Pimenta Neves (19 anos e 2 meses) e Carlos Eduardo Toledo Lima (caso João Hélio, com sentença de 45 anos e 3 meses).

Além de Eliana, mais seis pessoas foram condenadas. O irmão dela, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, também pegou 94,5 anos de prisão. Foi preso ainda Celso de Lima, ex-diretor financeiro da Daslu, condenado a 53 anos.

Dos outros quatro condenados, um está viajando e os três restantes ainda não foram localizados. Eles são Roberto Sakhouri Júnior, da importadora "Todos os Santos", que pegou 11,5 anos de pena e no momento está viajando; André de Moura Beukers, da importadora "Kinsberg", que foi condenado a 25 anos; Christian Polo, da importadora "By Brasil", que pegou 14 anos de prisão e Rodrigo Nardy Figueiredo, também da importadora "Todos os Santos", condenado a 11,5 anos.

Histórico

As investigações sobre o suposto esquema de contrabando e de fraude fiscal envolvendo a Daslu começaram em outubro de 2004 com a apreensão de uma nota fiscal da Gucci que estava em um contêiner no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos.

A nota mostrava a venda direta da grife italiana para a Daslu enquanto outra nota, a que foi apresentada à Receita Federal, dizia que a mercadoria havia sido exportada de Miami (Estados Unidos) para uma importadora no Brasil.

Escutas telefônicas demonstraram que os acusados no caso estavam planejando a queima de documentos sobre a fraude. Isso motivou, em julho de 2005, a Operação Narciso. Na época, policiais federais revistaram a Daslu, apreenderam documentos e prenderam a proprietária da loja, Eliana Maria, e seu irmão, além de dois outros acusados.

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