Advogada da mãe de Isabella será assistente de acusação

SÃO PAULO - A advogada Cristina Christo Leite, que representa Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, afirmou nesta segunda-feira que será assistente de acusação no processo que investiga o assassinato da menina, ocorrido em 29 de março. Segundo a advogada, ela pretende acompanhar o interrogatório de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, que estão presos sob a denúncia de serem autores do homicídio.

Redação com agências |


Arquivo Pessoal
Advogada de Ana Carolina vai atuar em processo
Cristina ainda comentou o pedido de habeas-corpus impetrado pelos advogados de defesa de Alexandre e Anna Carolina, que também contestaram a denúncia apresentada pelo promotor Francisco Cembranelli e pediram a anulação da decisão do juiz Maurício Fossen, que acatou integralmente a denúncia.

"Não existe erro técnico que exija a nulidade do despacho do juiz. A defesa tenta arrumar argumentos, mas a denúncia está muito bem fundamentada", afirmou.

Para Ana Carolina, crime foi por ciúme

Em uma entrevista de mais de 20 minutos ao programa Fantástico, da TV Globo, Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, disse que acredita que o pai e a madrasta são os principais suspeitos da morte da garota e que o crime ter acontecido por ciúmes. "De uma forma ou de outra, a imagem da Isabella era a minha imagem", afirmou. Para ela, "a justiça está começando a ser feita".

Esperança

"Eu tinha esperança que ela fosse voltar", disse Ana Carolina. "Demorou para cair a ficha. Por ela ( Isabella ) sempre ir para a casa do pai, eu me acostumei a passar o fim de semana longe da minha filha. Eu tinha esperança que ela fosse voltar, que ia chegar o domingo e Isabella ia aparecer. Eu ainda acho", afirmou Ana Carolina, muito emocionada.

Reprodução
Ana Carolina de Oliveira, em entrevista ao Fantástico
Ana Carolina de Oliveira,
em entrevista ao Fantástico
 Durante a entrevista, Ana Carolina afirmou que o momento mais difícil após a perda da filha é quando volta do trabalho. "Está sendo uma situação muito difícil para mim. A hora mais difícil é a hora de voltar para casa. Quando eu volto é a hora que a gente tinha para brincar. Eu choro muito quando volto para casa", disse.


O dia da morte

Ao relembrar o dia da morte de Isabella, Ana Carolina afirmou que tinha ido a um churrasco e estava perto do apartamento de Alexandre Nardoni quando Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella, ligou em seu celular. "Ela gritava muito. Eu entendi que jogaram a Isabella e pelo nervosismo, na hora eu entendi que ela havia caído na piscina", disse.

Segundo relato de Ana Carolina, quando chegou ao apartamento, a madrasta estava na rua acenando. "Eu deixei o carro ainda andando e encontrei Isabella no chão. Ela ainda respirava, o coração batia. Coloquei a mão no peito dela e disse: 'filha, fica calma, a mamãe está aqui. Vai dar tudo certo'", afirmou.

Já no hospital, Ana Carolina disse que entrou no quarto onde Isabella estava e viu a garota já morta, com a língua de fora. "Eu abracei ela muito forte, dei muito beijo nela, muito beijo e falei: 'filha, a mamãe vai deixar você ir em paz e a mamãe vai ficar aqui para lutar por você'".

Frieza no enterro

Emocionada, Ana Carolina lembrou que, no dia do enterro de Isabella, Alexandre Nardoni não conversou com ela "em momento algum". "Ele não olhou para mim, não veio falar comigo, não falou uma palavra", disse.

Sobre Anna Carolina Jatobá, a mãe de Isabella disse que a madrastra "me deu um abraço indiferente e falou para mim que não liguei para ela no sábado. Achei aquilo de uma frieza e eu não perdi o meu tempo respondendo", disse.

Entrevista do pai e madrasta

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Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá falam pela primeira vez após morte de Isabella
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá
falam pela 1º vez após morte de Isabella
Ao comentar sobre a entrevista do pai e madrasta de Isabella ao Fantástico , Ana Carolina afirmou que não foi "nem um pouco convincente". "Prefiro não dar detalhes do que aconteceu aquele dia", disse.


Ana Carolina rebatou a afirmação de Anna Carolina Jatobá, que afirmou durante a entrevista que Isabella a chamava de mãe. "Nós tinhamos uma relação de cumplicidade, de mãe e filha. Nós eramos parceiras, éramos amigas, e ela tinha plena confiança de que eu era uma mãe. A mãe dela existe, a mãe dela está aqui. Ela não tinha outra mãe", afirmou.

Processo judicial

Ana Carolina afirmou também que irá acompanhar todo o processo judicial e será testemunha de acusação no caso. "Eu já tenho uma advogada ingressando no processo, eu vou acompanhar isso de frente. Eu busco e peço forças a Deus porque eu vou ajudar, no que eu puder, eu vou ajudar", disse.

"Segundo dia mais difícil"

Em entrevista ao jornal carioca "O Dia", a mãe de Isabella afirmou que o Dia das Mães, este ano, foi o "segundo dia mais difícil" de sua vida.

Para uma mãe, perder um filho é como morrer junto. Hoje será o meu dia de luto pela perda da minha filhinha. Sempre ouvi que a dor de perder um filho é a pior possível. Hoje sei que é. Amanhã (hoje) será o segundo dia mais difícil da minha vida. O pior foi quando enterrei minha filha, revela.

Na última sexta-feira, Ana Carolina desabafou pela primeira vez após a prisão do pai e da madrasta de sua filha, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. O casal é acusado de matar e depois atirar a menina de 5 anos de uma janela do 6º andar do Residencial London, na Vila Isolina Mazzei.

Em uma breve entrevista na porta de sua casa, na Vila Medeiros, zona norte, a bancária revelou agora acreditar que o casal assassinou Isabella. "Não vou comentar sobre as investigações. Mas minha opinião após a prisão é que a Justiça foi feita. Eu estou confiando. Esperava que não fossem eles, mas não tem jeito, agora acredito. Agora a Justiça foi feita." Sobre a autoria do crime demonstrou tristeza. "É bem mais difícil saber que foi o pai da minha filha."

(Com agência Estado)

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