Adotar estilo de vida saudável é melhor do que apenas tomar remédios

Adotar estilo de vida saudável é melhor do que apenas tomar remédios Por Giuliana Reginatto São Paulo, 03 (AE) - Sentir dor em troca de um pouco de prazer. Essa cruel relação de troca passou a fazer parte da vida de Karine Coelho há quatro anos, quando ela se descobriu diabética e dependente das injeções de insulina para comer guloseimas.

Agência Estado |

"Tenho uma dieta dada pela nutricionista que quase nunca sigo à risca. Chego a comer barras de chocolate e depois busco a insulina. Sei que é errado, que não sou bom exemplo. Já tive crises de hipoglicemia, com a glicemia chegando a 29", diz. A glicemia se refere à concentração de glicose no sangue, que deve variar de 70 a 110mg/DL.

Karine, 19 anos, administra sua angústia na companhia de muitos brasileiros. Para os portadores de doenças crônicas, tais como diabete, obesidade, hipertensão e dislipidemia (taxas elevadas de gordura, sobretudo colesterol) o remédio, ingerido ou injetado, pode representar uma solução mais rápida do que a adoção de uma alimentação balanceada, da prática de exercícios e de outros hábitos saudáveis. O ‘atalho’, porém, não raro adia ainda mais a estabilização da doença.

O médico Antônio Carlos Lerário, da Sociedade Brasileira de Diabete, explica que alguns quadros de diabete podem ser de fato controlados por meio da alimentação. "Diabete do tipo I, que acomete jovens nas primeiras duas décadas de vida, é uma modalidade mais agressiva, mas representa só 10% dos casos. Já o tipo II, que costuma se manifestar por volta dos 50 anos, geralmente em pessoas gordas, pode ser tratado sem remédio em sua fase inicial, por meio da dieta. A prática de exercícios também é indicada porque faz com que os músculos consumam a glicose", destaca.

De acordo com Lerário, ao corrigir altas taxas de glicose só com administração de insulina, sem dieta, o paciente tende a engordar. "É um círculo vicioso: a insulina ajuda a metabolizar o açúcar e a glicemia abaixa. A fome aumenta e a pessoa repete o procedimento, ingerindo mais glicose, recorrendo à insulina. É preciso um treinamento para usar a insulina. Se a glicemia cai demais, a pessoa pode ter alterações cognitivas e até entrar em coma. Uma paciente teve hipoglicemia enquanto dirigia e bateu em seis carros."
No caso do controle de peso, o abuso de remédios é mais evidente. De acordo com um relatório da Jife (Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes), em 2007 o Brasil apareceu pela 3ª vez como o maior mercado de remédios para emagrecer, os anorexígenos. Cerca de 98% da droga femproporex produzida no mundo é consumida em território nacional. Em contrapartida, só 10% da população do País é obesa.

"Há um abuso no uso de anorexígenos, mas não existe um remédio que torne a pessoa magra para sempre. Para isso, ela deve incorporar um novo estilo de vida. Os pacientes me dizem: ‘não adianta me mandar comer verdura, fazer ginástica’. É preciso mudar essa mentalidade e ter força de vontade extra para ter uma vida saudável em São Paulo. Perde-se tempo no trânsito, as pessoas chegam em casa cansadas. Mas se você tem tempo para ver TV, pode colocar uma esteira perto dela", diz a endocrinologista Roberta Villas Boas, do Hospital Nove de Julho.

Coordenadora de nutrição do Programa de Promoção de Saúde do Fleury, Renata Damião defende que a mudança de hábitos pode conduzir a resultados duradouros. "É mais fácil ingerir a pílula para emagrecer, mas quando você assume novas práticas adquire um aprendizado e evita o efeito rebote do remédio, que o faz recuperar o peso perdido", ressalta.

O controle de peso é essencial para cardiopatas (que sofrem de doenças do coração). Entre eles, a opção pelos remédios em detrimento de medidas naturais é uma constatação que preocupa especialistas. De acordo com uma pesquisa do Instituto Dante Pazzanese, 51% dos três mil pacientes são totalmente sedentários. Para o coordenador de Nutrição Clínica do hospital, Daniel Magnoni, substituir a vida saudável pelo remédio não é uma troca igualitária. "Boa alimentação aliada aos exercícios pode ser benéfica para muitas áreas: prevenir osteoporose, tratar obesidade, hipertensão, diabete. Essa dupla atua em todos os fatores de risco. Não há um remédio tão bom assim."

Boxe: Sob controle
- Diabete - Exercícios facilitam o consumo da glicose pelos músculos, mas busque acompanhamento médico para evitar a hipoglicemia. Na dieta, frutas também são controladas. Prefira aveia e fibras, que ajudam a baixar a glicemia.

- Colesterol alto - Dieta pobre em gordura saturada e trans pode ajudar a baixar o colesterol e os triglicérides. Reduza ainda os carboidratos, exercite-se, não fume. Cardiopatias, obesidade e diabete são problemas correlacionados.

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