Adesão à greve dos médicos-residentes é de 80%, diz entidade

Governo ofereceu reajuste e diz que algumas reivindicações não procedem

iG São Paulo, com Agência Brasil |

Cerca de 17 mil médicos-residentes em todo país entraram em greve hoje (17) para reivindicar reajuste de 38,7% no valor da bolsa-auxílio. Segundo a Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), o apoio ao movimento chega a 80% em todo o País.

Além do reajuste, os residentes também reivindicam o pagamento da décima terceira bolsa, além de auxílio-moradia, auxílio-alimentação, e o aumento da licença-maternidade de quatro para seis meses.

De acordo com o presidente da Associação Brasiliense de Médicos Residentes, Cassio Rodrigues, no dia 13 de julho, eles entregaram um documento com as reivindicações aos ministérios da Educação e da Saúde, mas não não houve negociação.

“A nossa proposta é de 38% e não vamos aceitar o contrário. Isso já vem sendo debatido há algum tempo e agora não dá mais”, disse. Atualmente, os residentes recebem bolsa-auxílio no valor de R$ 1.916,45.

De acordo com o Ministério da Saúde, a proposta de reajuste de 20% no valor da bolsa a partir de 2011, oferecida ontem pelo governo, só foi possível por meio do remanejamento de recursos de outros projetos dos órgãos financiadores.

De acordo com Ministério da Saúde, algumas reivindicações dos médicos-residentes, como o auxílio-moradia e o auxílio-alimentação, são de categorias trabalhistas e não devem ser consideradas já que o residente ainda é um estudante em processo de formação profissional.

A médica-residente Renata Figueira, de 28 anos, destaca que as reivindicações não são somente por reajuste, mas também por condições melhores de trabalho. Segundo ela é comum os futuros especialistas fazerem vários plantões, o que é desgastante.

“Estamos aqui por uma causa justa. A causa da valorização e do reconhecimento da saúde pública”, completou.

Em nota emitida hoje o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz d´Avila, manifestou a posição da entidade sobre a paralisação. No texto o CFM reitera as suas posições sobre os aspectos ético-profissionais pertinentes ao movimento de paralisação, definidas no processo consulta nº 20/2002.

Naquele parecer, a entidade considera que "os movimentos médicos reivindicatórios de melhores condições de trabalho e remuneração, mesmo que promovidos por médicos residentes, configuram-se como éticos desde que ressalvadas as situações caracterizadas nos artigos 24 e 35 do Código de Ética Médica". A íntegra do parecer está disponível no site do CFM .

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