Acusados de integrar milícia no Rio serão ouvidos nesta quarta-feira

RIO DE JANEIRO - Seis pessoas acusadas de integrar a milícia denominada Liga da Justiça, que atua na zona oeste do Rio de Janeiro, serão interrogadas nesta quarta-feira no Tribunal de Justiça do Rio. A audiência estava marcada para começar às 11h, mas houve atraso e o tribunal não informou o motivo.

Agência Brasil |

De manhã, enquanto estavam a caminho da audiência, os acusados precisaram ser resgatados por um helicóptero da Polícia Militar. O carro blindado que os transportava até o Tribunal de Justiça furou um dos pneus na Avenida Brasil, via expressa que liga os bairros da zona oeste ao centro da cidade.

De acordo com informações da Justiça, o grupo foi reconhecido na última audiência, no dia 15 de dezembro, pelo fuzileiro naval reformado Carlos Eduardo Marinho dos Santos, o Pit Bull, como autor dos disparos feitos contra ele e Marcelo de Gouveia Bezerra, no dia 28 de maio do ano passado.

O motivo do suposto atentado, segundo a Justiça, teria sido a resistência das vítimas à intenção do então deputado estadual Natalino Guimarães, acusado de chefiar o grupo miliciano, de instalar um centro social para sua sobrinha Carminha Guimarães em um terreno do Condomínio Parque dos Eucaliptos, no bairro de Campo Grande. Natalino Guimarães está preso, juntamente com seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães, também acusado de liderar a milícia, na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

No mesmo local estão presos três dos acusados que serão interrogados hoje: Moisés Pereira Maia Júnior, Luciano Guinâncio Guimarães, filho do vereador Jerominho, e Fábio Pereira de Oliveira, conhecido como Fabinho Gordo. Outros dois - Ivilson Umbelino de Lima, o Bibico, e Sílvio Pacheco Fontes - são policiais militares e estão detidos no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, zona norte do Rio.

O sexto acusado, Júlio César Ferraz de Oliveira, que também é policial militar, teve a prisão preventiva revogada pela juíza Alessandra de Araújo Bilac Moreira Pinto, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, a pedido do Ministério Público. Embora tenha sido reconhecido pela vítima, ele conseguiu reunir provas e testemunhas de que estava de serviço no dia do crime. O soldado da PM vai responder ao processo em liberdade provisória.

Já o fuzileiro naval reformado conhecido como Pit Bull, uma das vítimas dos disparos, é acusado em outro processo, de formação de quadrilha, de integrar milícias rivais e de explorar a segurança no condomínio alvo da disputa. Ele também está preso na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande.

Na audiência desta quarta-feira, também serão ouvidas três testemunhas indicadas pela defesa. Segundo a polícia, a "Liga da Justiça" controlaria clandestinamente diversos serviços na zona oeste do Rio, desde a venda de gás até a segurança privada.

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