Acusado de matar ex-mulher não comparece ao júri

Comerciante é julgado sob acusação de matar ex-mulher e atirar contra os dois filhos e o cunhado. Acusado é procurado pela Justiça

iG São Paulo |

AE
Natalia Just e Zaldo Just, filhos de Maristela Just, chegam ao Fórum de Jaboatão dos Guararapes, para o julgamento de José Ramos Lopes Neto
O comerciante José Ramos Lopes Neto é considerado foragido da Justiça a partir desta terça-feira. Neto - acusado de matar a ex-mulher Maristela Ferreira Just e atirar nos dois filhos, Zaldo Magalhães Just Neto e Nathália Just Ramos Neto, e no ex-cunhado Ulisses Ferreira Just, em abril de 1989 - não compareceu ao julgamento em que é réu, no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.

Segundo informações da juíza Inês Maria de Albuquerque, que iniciou a sessão por volta das 11h50 desta terça-feira, o comerciante será julgado à revelia. Inês informou que havia um pedido de prisão decretado contra ele desde 19 de maio. O decreto atende a pedido do Ministério Público Estadual para impedir que o acusado fuja do País.

A Defensoria Pública, que está representando a defesa do réu, afirmou que também não foi procurada por ele. Os dois defensores, porém, afirmaram que têm dados suficientes sobre o processo.

Neto é acusado pelo crime de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe (vingança) e sem dar chances de defesa à vitima, e tentativa de homicídio qualificado.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, em 4 de abril de 1989, por volta das 19h30, na casa dos pais da de Maristela, o acusado matou a tiros a ex-mulher, tentou matar os filhos - que na época tinham 2 anos e 4 anos -, além do ex-cunhado. Separado da mulher havia dois anos, ele decidiu matá-la por não se conformar com o divórcio, de acordo com a acusação.

Integrantes do Forum de Mulheres de Pernambuco fazem vigília e exigem punição do réu na porta do prédio onde o comerciante está sendo julgado. Ao chegar ao local, Nathália Just, hoje com 25 anos, disse esperar não haver mais brechas na Justiça para que o pai possa ser condenado. Segundo ela, o caso tem sido tratado como emblemático diante da impunidade.

"Dia esperado"

Em entrevista ao iG , na segunda-feira, a jovem disse que a "luta" começaria agora. "É o dia que esperei em toda a minha vida . Mas estou forte, não estou ansiosa. A luta começa agora [com o julgamento]”, disse Nathália Just. “Não sei como ele é. Dizem que é comerciante, mas quando era casado com minha mãe ele nem trabalhava. Para mim vão ser dois estranhos. Não existe vínculo afetivo nenhum. Ele nunca se aproximou. Foi sorte minha e do meu irmão nunca ter encontrado ele na vida. Nunca”, afirmou Nathália.

No decorrer do julgamento, que pode durar até três dias, devem ser ouvidas três testemunhas de acusação, uma de defesa, duas testemunhas arroladas pela juíza, além duas das vítimas Nathália Just e Zaldo Just. Sete jurados decidirão se o réu é culpado ou não das acusações.

O caso

Após o crime, o comerciante foi preso em flagrante e passou cerca de um ano detido no presídio Aníbal Bruno, em Tejipió. Foi liberado por meio de um habeas corpus. Em junho de 2001, o então juiz da 1ª Vara do Júri de Jaboatão, João Roberto Moreira, divulgou a sentença de pronúncia do comerciante. A expectativa era que o julgamento ocorresse naquele ano, o que não aconteceu.

Novo julgamento deveria ter sido realizado em 13 de maio deste ano, mas foi adiado em razão da ausência do advogado de defesa, Humberto Albino de Morais. Lopes Neto também não compareceu ao próprio julgamento. Desde então, a Defensoria Pública assumiu o caso, a pedido da juíza do caso, Maria de Albuquerque, da Vara do Tribunal do Júri de Jaboatão. Por não ter justificado a falta à época, o advogado foi multado em R$ 25,5 mil por determinação da juíza.

    Leia tudo sobre: caso MaristelaJustiçaPernambuco

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG