Acusado de mandar matar a missionária Dorothy Stang é julgado pela 3ª vez

Começou por volta das 8h15 desta segunda-feira, no Tribunal do Júri de Belém, o novo julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante da morte da missionária americana Dorothy Stang.

iG São Paulo |

AE
Dorothy foi assassinada com 6 tiros em 2005
Bida já enfrentou dois júris populares. No primeiro, em maio de 2007, foi condenado a 38 anos de prisão. No entanto, ele recorreu e conseguiu novo julgamento. Em maio de 2008, o segundo júri o absolveu. O Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), contudo, anulou a sentença e determinou que o acusado respondesse ao processo criminal preso.

O julgamento de hoje deveria ter ocorrido em 31 de março, mas foi adiado devido à ausência dos advogados de defesa.

Julgamento

Nesta segunda-feira, ne novo, o defensor do réu, o advogado Eduardo Imbiriba, não compareceu à sessão de júri, sendo substituído pelo advogado Arnaldo Lopes de Paula, que requereu o substabelecimento para atuar no julgamento em favor de Vitalmiro, solicitando ainda ao magistrado, o adiamento da sessão em nome da ampla defesa.

O juiz Raimundo Moisés Flexa, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, com fundamento no artigo 456 do Código de Processo Penal, negou o pedido da defesa, afirmando que, conforme a legislação penal, a sessão de júri pode ser adiada apenas uma vez.

Após as deliberações, o magistrado deu sequência aos trabalhos com o sorteio de jurados para formação do Conselho de Sentença, o qual ficou composto por seis mulheres e um homem. A sessão seguia, por volta das 9h30, com a oitiva das testemunhas de acusação. Foi registrada a presença das quatro testemunhas arroladas pela acusação e apenas uma da defesa.

A testemunha em comum arrolada pelas duas partes também compareceu. Dessa forma, os defensores pediram a substituição de duas testemunhas, integrando-se à relação Rayfran Sales e Clodoaldo Batista.

Morte da missionária

O crime ocorreu em 12 de fevereiro de 2005 em Anapu (PA). Por volta das 7h30, a missionária Dorothy Stang seguia para uma reunião com colonos na cidade de  Anapu, no Pará. No caminho, encontrou Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista, os quais, conforme o Ministério Público, aguardavam a passagem da vítima.

Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros, disparados por Rayfran, réu confesso. Segundo o Tribunal de Justiça, Clodoaldo atuou como facilitador para a ação de Rayfran, distraindo a vítima.

O crime teria sido encomendado a um valor de R$ 50 mil, sendo Rayfran e Clodoaldo denunciados como executores, Amair Feijoli da Cunha como intermediador, e os fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura (Bida) e Regivaldo Pereira Galvão como mandantes.

Até agora, foram condenados Rayfran das Neves, que cumpre pena de 28 anos de prisão, Clodoaldo Batista, condenado a 17 anos, e Amair Feijoli, a 18 anos

Ela morava havia mais de 20 anos na região, ajudando agricultores ameaçados por fazendeiros e madeireiras ilegais.

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