Acusação e defesa se exaltam durante discussão em julgamento de Hildebrando

RIO BRANCO - O julgamento do deputado cassado e ex-coronel da Polícia Militar Hildebrando Pascoal foi retomado na manhã desta quarta-feira com os debates entre a acusação e a defesa.

Redação |

Ele é acusado de ter torturado e matado com uma motosserra o mecânico Agilson Firmino dos Santos, conhecido como Baiano, em vingança contra a morte de seu irmão Itamar Pascoal, em 1996, no Acre.

Tribunal de Justiça de Goiás
O promotor do Ministério Público Álvaro Pereira durante julgamento

Segundo o Tribunal de Justiça do Acre, a sessão chegou a ser interrompida por alguns minutos "para acalmar os ânimos" após uma discussão dos promotores do Ministério Público e integrantes da defesa.

Até o início da tarde, dois dos três promotores já haviam se pronunciado. Em seguida, cada um dos três advogados de defesa terá direito a 1h30 para se pronunciar, totalizando 6h. Em caso de réplica e tréplica, ficou definido o prazo de uma hora.

A previsão é de que o julgamento, que teve início na segunda-feira, acabe na madrugada de quinta-feira.

Terça-feira

Na tarde de terça-feira, os jurados assistiram ao interrogatório de Hildebrando e dos outros acusados Adão Libório e Alex Fernandes, que se declararam inocentes no crime.

Divulgação
Hildebrando (à direita) com os outros acusados no banco dos réus

Hildebrando Pascoal se diz perseguido. "Sou um preso político", afirmou e atribui a suposta perseguição ao desembargador Jercino Pacheco Nunes, ao procurador Luiz Francisco de Souza e ao ex-governador Jorge Viana.

Segundo o ex-deputado, o autor do crime foi Alípio Ferreira, que está morto. O policial e ex-vereador, dono do galpão onde a vítima foi assassinada, era pessoa de confiança do ex-parlamentar.

O acusado voltou a adotar a estratégia de tentar desqualificar seus acusadores. "Eu tinha interesse no 'Baiano' vivo para saber onde estava o assassino do meu irmão", afirmou, referindo-se a José Hugo, o Mordido, que disparou contra Itamar Pascoal.

Crime

Entre os dias 1 e 2 de julho de 1996, Baiano, ainda vivo, teve os olhos perfurados, braços, pernas e pênis amputados com uma motosserra, um prego na testa e o corpo cravado por balas. Para o Ministério Público Estadual, o crime foi uma vingança comandada pelo ex-deputado.

Hildebrando está preso desde 1999 por outros crimes e já foi condenado por dois assassinatos de testemunhas que prestaram depoimento nestes processos. Sua pena, somada, chega a 88 anos de prisão - dos quais, cumprirá no máximo 30.

Nesta segunda, no banco dos réus, ele enfrentou pela primeira vez a viúva de Baiano, Evanilda Lima de Oliveira, seus filhos Emanuele e Everson, e o bispo Dom Moacir Grecchi. Os quatro deram os mais contundentes depoimentos do júri. Ao todo, foram ouvidas 15 testemunhas (de acusação, de defesa e do juiz) no primeiro dia do julgamento.

Todas confirmaram, direta e indiretamente, a tese do Ministério Público Estadual de que nos primeiros dias de julho de 1996, Hildebrando Pascoal, seus familiares e policiais ligados a eles empreenderam uma "caçada" para encontrar e executar o assassino de seu irmão.

Hildebrando nega crime da motosserra

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