RIO DE JANEIRO, 8 de abril (Reuters) - Depois de 15 meses em alta, a cadeia do açúcar e derivados deu em março o seu primeiro alívio sobre a inflação, sendo a principal responsável pela desaceleração do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) no mês. A alta do indicador foi de 0,63 por cento em março, ante 1,09 por cento em fevereiro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quinta-feira. Analistas consultados pela Reuters previam inflação de 0,81 por cento para março, de acordo com a mediana de 15 projeções que oscilaram de 0,73 a 0,88 por cento.

No atacado, o açúcar cristal passou de uma alta de 8,66 por cento em fevereiro para queda de 4,66 por cento em março, enquanto o açúcar refinado saiu de avanço de 4,59 por cento para baixa de 2,69 por cento.

Segundo a FGV, o preço do álcool caiu 11,15 por cento, se refletindo no preço da gasolina, que teve queda de 0,83 por cento.

"A normalização da safra de cana foi o principal impacto sobre o IGP. Ela influenciou toda a cadeia do açúcar depois de subir desde o início de 2009 quando houve problemas de produtividade, clima e de quebra de safra na Índia", avaliou o economista da FGV Salomão Quadros.

Segundo o economista, em 12 meses, no entanto, o açúcar ainda acumula alta de 54,53 por cento e o álcool, de 27,86 por cento.

"Pode ser que um ano inteiro não seja suficiente para compensar essa alta e voltarmos a níveis pré-choque. A perda da safra na Índia é desastrosa; então, até pode ser que a normalização nessa cadeia seja só na próxima safra", afirmou Quadros.

Outro efeito que ajudou na desaceleração do IGP-DI em março foi a queda do dólar, que derrubou os preços dos materiais para manufatura. "Tem um efeito câmbio sobre esse preços, mas tem um efeito forte também da cotação internacional de metais e petroquímicos que já subiram muito nos últimos meses."

ATACADO ARREFECE

Entre os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços por Atacado (IPA) aumentou 0,52 por cento em março, após elevação de 1,38 por cento no mês anterior.

O IPA agrícola subiu 2,33 por cento no mês passado, ante alta de 1,46 por cento no anterior. O IPA industrial caiu 0,05 por cento, contra variação positiva de 1,35 por cento em fevereiro.

As principais quedas individuais de preços no atacado foram de soja em grão, álcool etílico anidro, farelo de soja, açúcar cristal e arroz em casca.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,86 por cento em março, seguindo a elevação de 0,68 por cento em fevereiro.

A principal pressão veio do grupo Alimentação, com alta de 2,60 por cento agora, ante 1,16 por cento antes.

As maiores altas individuais no varejo foram de tomate, leite longa vida, batata-inglesa, pimentão e açúcar refinado.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) aumentou 0,75 por cento, ante alta anterior de 0,36 por cento.

O IGP-DI fechou o primeiro trimestre com alta acumulada de 2,76 por cento.

No período, o IPA subiu 2,88 por cento, o IPC avançou 2,86 por cento e o INCC avançou 1,76 por cento.

(Por Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer)

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