Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - A decisão do PSDB de apoiar Tião Viana (PT-AC), tomada às vésperas da eleição, surpreendeu parlamentares e reduziu o favoritismo da candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado. O peemedebista segue, no entanto, na liderança da disputa que será decidida na segunda-feira.

Sarney conta com o suporte de DEM e PTB, além de seu próprio partido, enquanto Viana tem a adesão dos senadores do PSB, PR, PRB, PSOL, PDT e dos tucanos. Agora, Sarney e Tião Viana tentam conquistar os votos dos senadores que estão dispostos a desrespeitar as decisões de seus líderes.

A eleição ocorrerá por meio de uma votação secreta, um trunfo para os "traidores".

"É um quadro totalmente diferenciado. É um quadro de disputa acirrada. É um reforço significativo", disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), comemorando a aliança com o PSDB. "Passar a ter chance facilita a conversa e as tratativas (com os indecisos)."

Tião Viana sabe que detém menos do que os 41 votos necessários para suceder Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) na presidência do Senado. Sarney, por sua vez, acredita que conseguirá bater o adversário com facilidade, pois alguns senadores tucanos não seguirão a decisão da cúpula do partido.

O PSDB decidiu o apoio a Tião na quinta-feira à noite em reunião entre o presidente Sérgio Guerra (PE), o líder Arthur Virgílio e o senador Tasso Jereissati (CE).

O senador Papaléo Paes (PSDB-AP), por exemplo, afirmou à Agência Brasil que votará, junto com pelo menos outros três colegas de bancada, em Sarney, seu aliado no Amapá.

Mesmo assim, o fortalecimento da candidatura do petista representa um revés para Sarney, que pretendia se eleger por consenso dos colegas e não queria participar de uma disputa pelo voto.

"Ele (Sarney) continua francamente favorito, e terá uma vitória com margem confortável", disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN). O partido apoiou Sarney formalmente.

Tucanos e petistas chegaram a um acordo depois que o grupo político de Sarney não aceitou todos os pedidos apresentados pelos senadores do PSDB, que demandaram a primeira vice-presidência do Senado e a presidência das comissões de Assuntos Econômicos e de Relações Exteriores. O PSDB também apresentou uma lista com demandas que garantiriam espaço à oposição na condução dos trabalhos da Casa.

Sarney não conseguiu garantir ao PSDB todos os cargos, e Viana enviou à cúpula tucana uma carta se comprometendo a cumprir as exigências do partido.

"A principal motivação é renovação. É isso que está motivando as pessoas", explicou Ideli sobre apoio de uma legenda de oposição, como o PSDB.

Sérgio Guerra acredita que todos os parlamentares da bancada seguirão a decisão dos líderes da legenda.

"O importante nessa decisão é o Congresso forte com um Senado afirmativo e um caminho para uma democracia segura", disse o senador

A líder do PT, entretanto, age com cautela. "O voto é secreto. O partido fecha uma posição política, uma orientação, um convencimento. Agora, certeza absoluta de todos os votos é impossível assegurar", ponderou.

ELEIÇÃO DE 2010

Apesar do conhecido desentendimento entre Sarney e José Serra, governador de São Paulo e potencial candidato do PSDB à presidência da República, PT e PSDB negam que a aliança esteja relacionada à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sarney responsabiliza Serra por uma operação da Polícia Federal que minou em 2002 a candidatura de sua filha, Roseana Sarney (PMDB-MA), hoje líder do governo no Congresso, à Presidência da República. De seu lado, Serra nega a acusação.

"Não queremos o apoio de presidente do Senado para o candidato nosso, até porque nenhum dos dois nos apoiaria", disse Guerra.

O presidente do Senado também comanda o Congresso e por isso decide o andamento das votações conjuntas com a Câmara no Legislativo, como a aprovação do Orçamento da União e a análise dos vetos presidenciais.

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