O presidente mundial do grupo francês Safran, Jean-Paul Herteman, afirmou hoje que o acordo entre o Brasil e a França para a compra de equipamentos militares deve ampliar a cooperação tecnológica da companhia com a fabricante brasileira de aviões Embraer. A Safran controla a Snecma, que faz parte do consórcio fabricante do avião de caça Rafale - integrado também pela Dassault e a Thales - e no Brasil é dono da Turbomeca, empresa do grupo que fabrica turbinas para aeronaves.

"Temos um enorme potencial de crescimento e desenvolvimento tecnológico a desenvolver com a Embraer, na qual também somos acionistas (a empresa tem uma pequena participação). No Brasil queremos estar cada vez mais presentes através de parcerias fortes, com a Embraer, ou de novas unidades industriais", disse, durante almoço promovido, em São Paulo, pelo Lide, grupo de líderes empresariais. A Dassault é a fabricante principal do caça francês, enquanto o Snecma produz os motores e a Thales, os radares.

"Não encaramos a transferência de tecnologia como obrigação, mas como uma oportunidade estratégica", afirmou o executivo, lembrando que grupo tem relações com a Embraer desde os anos 70, fornecendo equipamentos, trens de pouso e motores. Ele destacou ainda que a parceria será destinada à qualificação de profissionais.

Um dos itens do acordo entre Brasil e França prevê a venda de 10 aviões de transporte militar KC-390 da Embraer, que deve entrar em serviço somente em 2015. Mas o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que o projeto de cooperação pode ser mais abrangente. "Queremos desenvolver uma grande indústria aeronáutica, construir aviões em conjunto, vender aviões em conjunto", disse Sarkozy, em Brasília, após ter participado das comemorações do 7 de Setembro. Procuradora pela reportagem da Agência Estado, a Embraer informou que não comentará o acordo entre Brasil e França.

Herteman disse que a companhia receberá 1 bilhão de euros do total do valor calculado dos 36 caças Rafale. O contrato do Rafale entre França e Brasil estaria avaliado entre 4,5 e 5 bilhões de euros e a primeira aeronave seria entregue aos brasileiros em 2013. Segundo ele, a transferência de tecnologia, envolvida na negociação não vai se limitar apenas a produção. "A intenção é se ligar com outras empresas brasileiras e servir como uma alavanca tecnológica", afirmou.

Conforme Herteman, com a confirmação da vitória do consorcio francês, o grupo Sufran se unirá a empresas brasileiras para transferir a tecnologia da fabricação e a fundição de aços especiais para a fabricação de turbinas. Além disso, segundo ele, a empresa auxiliará a Força Aérea Brasileira (FAB) a desenvolver uma pequena turbina para avião sem piloto.

O executivo destacou ainda que há estudos para a ampliação da fabrica da Turbomeca, no Rio de Janeiro. "Há possibilidade da Turbomeca desenvolver suas atividades com outras empresas brasileiras", afirmou, acrescentando que o numero de funcionários, atualmente em 800 pessoas, poderá dobrar nos próximos cinco anos.

O grupo Safran foi criado em 2005 com a fusão das empresas Snecma e Sagem, e possui um faturamento anual de 10 bilhões de euros, com 54,5 mil funcionários em 30 países. No Brasil, a companhia tem fábricas em Xerém (RJ) e Taubaté (SP).

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