Acordo entre adversários não é novidade, diz analista

Adversários no campo nacional, o PSDB e o PT já se coligaram em eleições municipais passadas, o que mostra que o imbróglio envolvendo as duas legendas em Belo Horizonte, no pleito deste ano, não é nenhuma novidade. O governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT) costuraram um acordo para lançar o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Márcio de Araújo Lacerda (PSB), como cabeça de chapa e o deputado estadual Roberto Carvalho (PT) como candidato a vice.

Agência Estado |

"Podemos enterrar qualquer tipo de ideologia quando se trata de eleições locais, não tem esquerda e nem direita, temos exemplos de aliança entre PT e PSDB e até do PT com o DEM (antigo PFL). O que acaba prevalecendo nos pleitos municipais são os acordos locais", destaca o doutor em Ciência Política e conselheiro do Movimento Voto Consciente, Humberto Dantas.

De acordo com Dantas, o bom entendimento entre as duas legendas também já se repetiu em uma eleição majoritária, em 1998, quando PT e PSDB apoiaram um mesmo candidato aos governos do Acre e do Piauí. Já nas últimas eleições municipais (2004), o PT e o PSDB celebraram algum tipo de acordo em 901 cidades, sendo que em 130 delas o candidato era petista - com 59 vitórias - e em 260 delas o cabeça de chapa era tucano - com 136 vitórias. Esses entendimentos entre tucanos e petistas representaram nas eleições municipais passadas um crescimento de cerca de 60% em relação ao das eleições de 2000.

Legendas descentralizadas

O cientista político também questiona a celeuma criada pelo Diretório Nacional do PT, que se posicionou contra o acordo costurado em Belo Horizonte. E diz que se a justificativa (desses acordos) estiver pautada na falta de controle sobre os diretórios das pequenas cidades, como é possível explicar a aliança em Nova Iguaçu (RJ), que tem cerca de 1 milhão de habitantes, onde Lindberg Faria (PT), crítico contumaz de FHC, foi eleito com apoio tucano.

Humberto Dantas reitera que "o casamento entre PT e PSDB é muito mais comum dos que a lógica nacional dos partidos supõe". E cita o seguinte exemplo: "Em São João Del Rei, onde está sepultado o avô de Aécio Neves, o ex-presidente Tancredo Neves, o PSDB elegeu o prefeito nas eleições de 2004, com o apoio do PT." Na sua avaliação, se nos países federativos as legendas são descentralizadas, ou seja, possuem sistemas partidários regionalizados, nas eleições municipais brasileiras - que ocorrem simultaneamente em mais de cinco mil cidades, todo tipo de acordo pode acontecer.

Democratas

E não é apenas com o PSDB que o PT firmou aliança em eleições passadas. "A complexidade torna-se ainda maior se relacionarmos as 672 cidades onde o PT esteve com o PFL - atual Democratas, em 2004. E essa associação cresceu, em relação ao ano de 2000, mais de 250%", destacou Humberto Dantas. E questiona: "Tal atitude desrespeitou frontalmente a determinação do partido, ou a anuência para as eleições deste ano depende de fatores que transcendem os interesses municipais?"

Com base na análise da relação de alianças firmadas por partidos que se opõem, por exemplo, a nível nacional, o cientista político afirma que é possível supor que as eleições de 2008 passam a determinar como nunca os alinhamentos de 2010. "E nesse caso, existem cidades e cidades, eleitorados e eleitorados, anuências e anuências."

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