Acordo do clima sai se países ricos cederem, diz China

Se os países desenvolvidos não cederem em suas demandas será pequena a probabilidade de um acordo global a respeito da redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa. A opinião é de Lu Xuedu, vice-diretor do Centro Nacional do Clima da China e um dos principais negociadores do país que participarão da conferência do clima de Copenhague, na Dinamarca, em dezembro.

Agência Estado |

Lu afirmou que houve retrocesso nas negociações durante a reunião preparatória realizada este mês em Bangcoc, na Tailândia, porque os países ricos mostraram intenção de abandonar o Protocolo de Kyoto ao mesmo tempo em que exigem metas de corte de emissões dos países em desenvolvimento. "Quando terminamos a terceira rodada de negociações, pelo menos a direção estava certa. Mas ao final da quarta rodada em Bangcoc houve retrocesso", afirmou.

"A mensagem mais pessimista de Bangcoc foi a de que os países desenvolvidos, incluindo a União Europeia (UE) e o Japão, querem descartar Kyoto e a convenção para dar início a um pacto inteiramente novo." Sob o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, os países desenvolvidos, com exceção dos Estados Unidos, concordaram em reduzir as emissões, algo que não se aplica às nações pobres.

A agência de notícias Xinhua News informou que os presidentes da China, Hu Jintao, e dos EUA, Barack Obama, conversaram hoje, por telefone, sobre a situação. Hu afirmou que um pacto climático tem de incluir o Protocolo de Kyoto. "Embora existam problemas para se alcançar um acordo final, há esperança de um resultado positivo em Copenhague, desde que haja um trabalho conjunto", disse o presidente chinês ao colega norte-americano, segundo a Xinhua.

'Tarde demais'

Um acordo que substitua Kyoto tem sido negociado por mais de 180 países desde o ano passado. A conferência que será realizada na capital da Dinamarca entre 7 e 18 de dezembro deveria marcar a assinatura e a concordância de todas essas nações. Mas a menos de dois meses do prazo, as discordâncias são profundas e vão desde o porcentual da redução das emissões de gases ao financiamento de programas de incentivo aos países em desenvolvimento.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu que os líderes globais trabalhem juntos para alcançar um pacto em Copenhague e advertiu: "Se não chegarmos a um acordo neste momento, não haverá dúvida, uma vez que os danos provocados pelo crescimento das emissões for feito, nenhum acordo em retrospecto, a ser feito no futuro, poderá desfazer essa escolha. Será tarde demais." As informações são da Dow Jones.

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