Um novo estudo, publicado recentemente no The New England Journal of Medicine trouxe novas esperanças para mulheres diagnosticadas com câncer de mama, a quinta causa mais comum de morte entre as mulheres e o segundo tipo de câncer mais frequente. De acordo com o Austrian Breast Câncer Study Group Trial 12 (ABCSG-12), o ácido zoledrônico, mais conhecido como zometa, quando combinado com tratamento hormonal após a cirurgia, diminui em 36% o risco de recidiva da doença em mulheres na pré-menopausa, período em que a paciente está mais predisposta a desenvolver câncer.

De acordo com Ricardo Marques, médico oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês, na capital paulista, e médico do grupo de mama do Instituto de Oncologia de São Paulo, o zometa vai até o osso e impede a ocorrência de uma metástase. "Isso diminui o risco de fratura óssea, evitando que a paciente se submeta à radioterapia para os ossos, pois o medicamento 'gruda' no osso, impedindo a saída de cálcio e, consequentemente, seu enfraquecimento". O especialista completa que esse tratamento, realizado logo após a cirurgia, reduz a possibilidade de o câncer retornar após cinco anos.

"Não acredito que podemos recomendar a todas as pacientes que façam uso desse tratamento, mas podemos discutir esses resultados com elas", adverte Carlos Henrique Barrios, professor da Faculdade de Medicina da PUC-RS e diretor do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus, também no Rio Grande do Sul.

Segundo o médico, há casos em que o tratamento com zometa é recomendado ao mesmo tempo que a quimioterapia. "É o caso de pacientes muito jovens, com tumores muito maiores e muitos gânglios comprometidos", diz Barrios. De modo geral, a descoberta da terapia com o zometa é uma excelente surpresa para a comunidade médica. "Os resultados tendem a se confirmar", comemora Barrios. As contraindicações, de acordo, Marques, são para as pacientes com problemas renais. E segundo Barrios, há um risco mínimo do zometa causar osteonecrose de mandíbula. "Mas é um risco muito pequeno".

Adriana Bifulco

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