Acidentes com as crianças aumentam nas férias escolares; saiba como evitá-los

Se as férias escolares são para as crianças sinônimo de mais tempo livre para brincar e se divertir; para os pais, o período é de atenção redobrada. Segundo dados do Ministério da Saúde, os acidentes domésticos representam a principal causa de morte de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos no Brasil. E é nas férias, quando passam mais tempo em casa, que estes acidentes aumentam.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

De acordo com a coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia, como as crianças não têm uma atividade direcionada, é preciso reforçar a observação constante: olhar onde ela vai brincar e procurar sempre locais seguros. Isso inclui tanto dentro como fora de casa.

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Piso e altura dos brinquedos devem ser avaliados no playground

Nos parques, a recomendação da especialista é verificar se o piso é apropriado para a absorção de impactos ¿ como borracha e areia. Além disso, a altura dos brinquedos não deve passar de 1,20 metro. Tudo para evitar quedas, que são a principal causa da hospitalização de crianças.

Em 2006, conforme os últimos dados disponíveis pelo Ministério da Saúde, foram registradas 73.214 internações de crianças por este motivo.

Dentro de casa, o cuidado maior deve ser com as janelas e sacadas. As janelas devem estar sempre protegidas com telas de no máximo seis centímetros de distância entre as linhas, para evitar que nenhuma parte do corpo da criança passe, explica Alessandra.

"Na cozinha é onde acontece a maioria dos acidentes por queimadura e intoxicação"

Outros cuidados básicos são manter as camas e armários longe das janelas para evitar que os pequenos se debrucem. Menores de seis anos também não devem dormir em beliches. Se não houver escolha, a recomendação dos especialistas é colocar grades de proteção nas laterais.

Além disso, nunca deixe um bebê sozinho em cima do trocador, por exemplo, mantendo sempre uma mão segurando-o durante a troca de fraldas.

De todos os cômodos da casa, o que oferece mais risco é a cozinha, onde as crianças podem ter contato com objetos cortantes e materiais de limpeza. "È onde acontece a maioria dos acidentes por queimadura e intoxicação, afirma Alessandra.

A atitude mais segura é colocar um pequeno portão para evitar que elas entrem no local. Quando isso não for possível, a cozinha deve ser adaptada para recebê-las.

"Aqueles produtos sem rótulo, comprados em armazéns, geralmente, usam mais soda cáustica e cloro que os outros"

Além do já conhecido virar os cabos das panelas e cozinhar sempre nas bocas de trás, Alessandra atenta para manter facas e talheres longe do alcance das crianças e não usar toalhas de mesa compridas. Elas podem puxar e derrubar líquidos quentes, diz.

Curiosas, geralmente, são nas férias que as crianças têm mais tempo livre para explorar a casa. Por isso, os pais devem dispensar atenção especial aos produtos que podem provocar intoxicação e envenenamento - como detergente e sabão em pó.

A orientação é guardá-los trancados, fora do alcance, e saber a sua procedência na hora de adquiri-los. Aqueles produtos sem rótulo, comprados em armazéns, geralmente, usam mais soda cáustica e cloro que os outros. Se houver um envenenamento também é mais difícil fazer um antídoto já que não se sabe de onde ele veio e o que contém, esclarece.

Já é hora?

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Férias exigem atenção redobrada 

Uma das grandes dúvidas dos pais é saber quando é o momento certo de deixar as crianças sozinhas em casa sem a supervisão de um adulto. 

Pela lei, do 0 aos 16 anos, a pessoa é considerada absolutamente incapaz. Dos 16 aos 18 anos, é relativamente incapaz.

Ricardo Cabezón, presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), explica que cada caso é analisado pelo juiz, mas uma coisa é certa: não existe tempo mínimo de abandono estipulado. Nem que for 20 minutos para ir à padaria. Se acontecer algo, o pai vai responder, afirma.

Ele acrescenta que os responsáveis podem até ser enquadrados no crime de abandono de incapaz caso as crianças sofram algum tipo de acidente.

"Nem que for 20 minutos para ir à padaria. Se acontecer algo, o pai vai responder"

Além da definição de incapaz, a lei diz que até os 12 anos a pessoa é considerada criança. Até os 18 anos, é tida como adolescente. Pelo menos até os 12 anos tem que ficar em uma instituição ou com algum responsável, diz o advogado.

Na prática, Alessandra, da ONG Criança Segura, sugere que a partir dos nove anos os pais podem deixar as crianças sozinhas por pouco tempo. Em um dia deixa 30 minutos, mas sempre com muita orientação, afirma. Após os 12 anos, também considera que elas estão mais aptas a compreender os seus atos. Pode começar a deixar sozinho, mas é o que chamamos de sozinho monitorado, ligando pra saber se está tudo bem, acrescenta.

"Deixo a comida pronta para eles só esquentarem e a gente se fala por telefone o tempo todo"

No entanto, mesmo que os pais deixem os filhos menores com os irmãos mais velhos eles não estão isentos de responsabilidade em casos de acidentes. É o que acontece com a representante comercial Luciana Oliveira Lima, que tem um casal de gêmeos de 11 anos e há três anos deixa-os sob os cuidados de sua filha mais velha, hoje com 15 anos. Deixo a comida pronta para eles só esquentarem e a gente se fala por telefone o tempo todo, afirma.

Mesmo assim, Cabezón explica que se algum acidente acontecer com os gêmeos a mãe será responsabilizada. A ideia de abandono está afastada, mas ela pode responder por uma lesão corporal, por exemplo, já que não pode transferir a responsabilidade dela para outra pessoa que ainda não tem idade para assumir, explica.

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