Acidentes com animais peçonhentos aumentam 33% no País

Médicos devem ser treinados para atender vítimas, dizem especialistas

iG São Paulo, com Agência Brasil |

Os acidentes causados por animais peçonhentos – cobras, escorpiões e aranhas, por exemplo – foram tema de debate na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) nessa terça-feira, dia 27, em Goiás. Os pesquisadores apontaram o treinamento dos profissionais de saúde como a principal medida para melhorar o socorro a vítimas de picadas desse bichos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, nos últimos seis anos, o número de acidentes com animais peçonhentos cresceu 32,7%, em todo o Brasil. Em 2003, foram 68.219 notificações, contra 90.558, em 2009. Números preliminares indicam, ainda, que esses acidentes foram responsáveis por 309 mortes no Brasil, só no ano passado. E apesar da grande quantidade de casos, os cursos de medicina não oferecem formação nessa área. O tratamento hoje ainda é realizado a base de soro feito a partir do veneno dos animais.

“É com treinamento que vamos saber se a soroterapia está funcionando”, afirmou Luiz Eduardo da Cunha, diretor científico do Instituto Vital Brasil, da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro – laboratório produtor dos tipos de soro usados no tratamento. O diretor reclama da falta de uma longa série de dados com registros dos acidentes e a efetividade do método.

O médico e professor da Universidade Federal do Pará (Ufpa), Pedro Pardal, tem a mesma opinião e destaca que o atendimento deve ocorrer em, no máximo, três horas após o acidente para evitar sequelas ou a morte. Segundo ele, esse prazo é quase impossível de ser cumprido na Amazônia, onde as populações ribeirinhas vivem em locais distantes das unidades de saúde. “Se o médico não estiver preparado, o profissional vai dar o soro que não é adequado e não irá resolver o problema”, afirmou o professor durante o simpósio.

Para facilitar o socorro na região, o médico defende a produção de soro em pó – que não necessita de refrigeração, ao contrário do líquido (usado atualmente), e pode ser levado a qualquer lugar. No entanto, os pesquisadores revelam não há política governamental para estimular a produção do medicamento.

Primeiros socorros

A recomendação do Ministério da Saúde em casos de picadas de animais peçonhentos é lavar o local com água e sabão e levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento adequado. Fazer torniquete, furar, cortar, espremer, fazer sucção no local da ferida ou aplicar quaisquer substâncias sobre ela pode provocar infecções e piorar ainda mais o quadro.

Prevenção

Para se prevenir, Daniel Sifuentes, responsável pela Área Técnica de Animais Peçonhentos, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, explica que a melhor maneira de evitar um acidente é conhecer os animais e os hábitos deles. A partir disso, a adoção de algumas medidas simples pode impedir o contato com animais peçonhentos. Fique atento a essas dicas:

- Verifique cuidadosamente calçados, roupas, toalhas e roupas de cama antes de usá-los
- Limpe periodicamente ralos de banheiro, cozinha e caixas de gordura
- Mantenha camas e berços afastados, no mínimo, 10 cm da parede 
- Feche frestas nas paredes, móveis e rodapés para que não sirvam de esconderijo para os escorpiões
- Limpe o interior e arredores da casa usando luvas, botas e calças compridas. Nunca coloque as mãos em buracos ou frestas
- Não deixe acumular lixo, entulho ou resto de obra nos quintais e jardins
- Mude periodicamente de lugar materiais de construção sem uso e lembre-se de proteger as mãos com luvas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG