BRASÍLIA - Ao defender punições para quem divulga o conteúdo de escutas ilegais, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reacendeu o debate sobre o tratamento dado pelos veículos de comunicação a informações obtidas com o vazamento das interceptações.

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Para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), as declarações de Jobim à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas tratam de uma questão pertinente. Entretanto, a sugestão do ministro de fazer adequações na Lei de Imprensa não é considerada apropriada.

Os jornalistas e, especialmente, as empresas devem reconhecer que existem sim abusos na utilização de informações obtidas através de grampos ilegais. Mas não acredito que a solução seja no campo legislativo. Eu acho que ele [Jobim] tem uma certa razão na origem, mas se equivoca na proposta para resolver o problema. Identifica bem o sintoma, mas o remédio é inadequado, afirmou à Agência Brasil o presidente da Fenaj, Sérgio Murillo.

A imprensa se omite em fazer essa discussão e acaba dando vazão a manifestações infelizes como a do ministro Jobim, acrescentou.

A Fenaj defende a criação de um Conselho Federal de Jornalistas, instância em que assuntos como a divulgação de informações obtidas em grampos ilegais poderiam ser regulados a partir de um consenso entre profissionais e empresas do meio. Este conselho poderia, segundo Murillo, definir regras internas de fiscalização e impedimento de abusos, mas sem criar limites e constrangimentos ao trabalho dos jornalistas.

Às vezes informações essenciais para a sociedade são obtidas através deste processo e a imprensa deve ter condição de tomar essa decisão [de divulgar ou não] a partir da relevância pública do conteúdo, defendeu Murillo.

A proposta de criação de um Conselho Federal de Jornalistas já foi rejeitada uma vez no Congresso Nacional, mas foi reapresentada recentemente pelo deputado federal Celso Russomanno(PP-SP).

É uma dívida [a aprovação do projeto] que o Congresso Nacional tem para com a sociedade e que só não foi sanada ainda por oposição das empresas. Existe ambiente, disposição, mas falta vontade política, criticou o presidente da Fenaj.

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