absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, acusado de ser o mandante do assassinato da religiosa Dorothy Stang, em 2005, encoraje outros crimes em áreas de conflitos por disputas de terras na região." / absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, acusado de ser o mandante do assassinato da religiosa Dorothy Stang, em 2005, encoraje outros crimes em áreas de conflitos por disputas de terras na região." /

Absolvição de suspeito de matar irmã Dorothy vai aumentar violência na Amazônia, diz procurador

BRASÍLIA - A Procuradoria da República no Pará deve pedir ao governo federal e ao governo estadual ainda nesta quarta-feira que aumentem o reforço policial nas áreas de conflito da Amazônia para evitar o aumento da violência na região. O Ministério Público teme que a http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/05/06/suposto_mandante_de_assassinato_de_dorothy_stang_e_absolvido_1300426.html target=_topabsolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, acusado de ser o mandante do assassinato da religiosa Dorothy Stang, em 2005, encoraje outros crimes em áreas de conflitos por disputas de terras na região.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |


A absolvição do fazendeiro foi um prêmio à impunidade. As pessoas que lutam contra os fazendeiros estão correndo sério risco de vida, alertou, nesta quarta-feira, o procurador Felício Pontes Júnior, que revelou haver 300 nomes de lideranças ameaçadas de morte na Amazônia.

Segundo o procurador, há dezenas de focos de violência na região envolvendo madeireiros, latifundiários, garimpeiros e os povos da floresta, como ribeirinhos e indígenas. Na avaliação de Felício Pontes Jr, a absolvição de Vitalmiro repercutirá em maior violência nessa áreas. 

O fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura foi absolvido nesta terça-feira pelo conselho de sentença, no segundo julgamento a que foi submetido. O júri condenou a 28 anos de prisão em regime fechado o pistoleiro Rayan das Neves Sales, mas alegou não haver provas suficientes para condenar o fazendeiro.

O promotor Edson Souza declarou que pretende recorrer da decisão, argumentando que o pistoleiro mentiu. Em 2005, Rayan declarou que recebeu R$ 50 mil pela morte da missionária, mas no julgamento de terça-feira, voltou atrás.  

Membro do Comitê Dorothy, criado logo após sua morte para dar apoio aos colonos, a missionária irmã Margarida afirmou que Dorothy Stang "não tombou por uma gleba de terras", mas porque revelou que, na região, há um consórcio do crime. 

Ela tinha uma caixa com documentos de vários nomes comprometidos com o crime organizado. Rayan era um matador de aluguel, não tinha terra na região nem era agricultor. Qual o interesse dele em assassinar Dorothy? questionou.

Leia abaixo a nota oficial do MPF do Pará sobre o caso

O Ministério Público Federal (MPF) no Pará vem a público externar sua indignação contra a absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura da acusação de ter sido o mandante do assassinato da irmã Dorothy Stang.

Além de contrária às provas nos autos, a decisão - um verdadeiro prêmio à impunidade - é preocupante porque contribui para o acirramento da violência no campo.
Assim, entendemos que é fundamental e urgente o fortalecimento dos sistemas de segurança pública federal e estadual nas regiões de conflitos fundiários no Pará.

Caso isso não ocorra, o MPF teme pela concretização das ameaças de morte a trabalhadores rurais, índios, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, defensores dos direitos humanos e religiosos que atuam no interior do Estado na defesa das minorias.

Por fim, é preciso lembrar que Vitalmiro Bastos de Moura responde à Justiça Federal por crimes ambientais e por manutenção de trabalhadores em condições análogas às de escravos.

Leia mais sobre: Violência no Pará

    Leia tudo sobre: irmã dorothy

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG