Cúpula da Abin conhecia detalhes da Satiagraha, diz agente" / Cúpula da Abin conhecia detalhes da Satiagraha, diz agente" /

Abin gastou R$ 800 mil na Operação Satiagraha, diz agente em CPI

BRASÍLIA - O presidente da Associação de Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Nery Kluwe, disse nesta terça-feira à CPI dos Grampos que a agência gastou R$ 800 mil na Operação Satiagraha, da Polícia Federal (PF). Essa informação, segundo ele, era comentada dentro da Abin entre os funcionários que participaram da ação. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/11/25/cupula_da_abin_conhecia_detalhes_da_satiagraha_diz_agente_2610870.html target=_topCúpula da Abin conhecia detalhes da Satiagraha, diz agente

Redação com Agência Estado |

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Entretanto, Kluwe não disse se os R$ 800 mil são referentes a gastos da PF com a Abin ou se a agência de inteligência gastou os recursos do seu próprio orçamento.

A PF afirma que a operação custou em torno de R$ 460 mil, mas não informa se o gasto foi total ou se foi só o quanto lhe coube nas despesas em uma suposta divisão de tarefas com a Abin. Ao ser contestado sobre a divergência entre os valores, Kluwe afirmou: Não sou eu que tenho que esclarecer, procurem as autoridades competentes.[...] Isso era voz corrente na agência".

A participação exata de agentes da Abin na Satiagraha ainda é controversa, mas se sabe que Lacerda cedeu arapongas da Abin para ajudar o delegado Protógenes Queiroz nas investigações, sem o consentimento do diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

Mais cedo, em depoimento à comissão, Kluwe confirmou a informação de que o diretor-afastado da Abin, Paulo Lacerda, sabia da participação dos agentes na Satiagraha. O sindicalista também comentou que a relação entre Lacerda e Luiz Fernando Corrêa, diretor da Polícia Federal, é descrita por um samba que diz: Esse imbróglio me lembra um samba que descreve a relação do nosso diretor com a PF: nosso amor é tão bonito, ele finge que me ama e eu finjo que acredito. 

Abin nega afirmações

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Abin negou que os gastos com a Satiagraha foram de R$ 800 mil. "Todos os gastos, incluindo os compartilhados com outras operações da Abin são de R$ 381 mil", informou a agência.

Ao depor por duas horas em sessão esvaziada , pois apenas quatro deputados estavam presentes - nem mesmo o relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), apareceu -, Kluwe afirmou que a participação de arapongas da Abin na Satiagraha começou com "apoio natural", ganhando força depois. "Eu suponho que começou com apoio natural, verificação de determinados dados. A situação foi crescendo e achou-se natural".

Grampo no STF

Kluwe foi taxativo ao negar que tenha sido responsável pelo vazamento do grampo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "Repilo e rechaço a maledicente acusação de minha participação no episódio", afirmou, logo em suas primeiras declarações à CPI.

"Para a Abin não há interesse nenhum em grampear um ministro, uma autoridade do governo. Para nós é mais vantajoso recrutar uma secretária como fonte humana do que grampear uma autoridade", disse.

A informação de que Kluwe teria sido responsável pelo vazamento do grampo entre Gilmar e Demóstenes é atribuída ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix. O ministro, porém, nega.

Em reunião na Abin, Félix, segundo relato de participantes, teria mencionado o nome de Kluwe, o que este mesmo descartou. "Só faltou dizer o meu nome. A insinuação é mais terrível", disse, acrescentando que tomará medidas "judiciais cabíveis" contra o ministro.

Requerimentos


O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), aproveitou a sessão quase vazia para colocar em votação requerimentos pendentes. Os deputados aprovaram a quebra de sigilo dos documentos fornecidos pelo Ministério da Defesa a respeito de equipamentos comprados pela Abin para fazer varreduras telefônicas.

Foi aprovada também a quebra de sigilo do áudio gravado durante reunião da cúpula da PF que culminou no afastamento do delegado Protógenes Queiroz do comando da Operação Satiagraha.

(Com reportagem de Carol Pires, do Último Segundo/Santafé Idéias)

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