Aberto inquérito para investigar médico de hospital de SC

SANTA CATARINA - Foi aberto nesta quarta-feira um inquérito policial para investigar o médico Fernando José Mendes Slovinski, chefe do setor de Radiologia do Hospital Estadual Governador Celso Ramos, em Florianópolis, um dos maiores de Santa Catarina. Ele é acusado de inventar doenças graves em pacientes para poder cobrar por exames e tratamento a serem realizados dentro do próprio hospital, que possui convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). Tudo foi gravado por uma paciente que sentia fortes dores no ombro e procurou o hospital para realizar um diagnóstico.

Redação com Agência Estado |

Segundo o chefe da Polícia Civil do Estado, delegado Maurício José Eskudlark, o radiologista cometeu crime contra a administração pública. Por isso, disse, foi indiciado pelo crime de concussão. Segundo o Código Penal, concussão "é o ato de exigir para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida". O réu pode ser condenado a uma pena que varia de 2 a 8 anos de reclusão.

O caso

No final de junho, uma agricultora, de 53 anos, procurou um hospital do governo porque estava sentindo fortes dores na região do ombro. Depois de analisar um raio-x, o médico disse que a paciente poderia estar com um tumor. A família da agricultora, preocupada com a notícia, aceitou pagar R$ 3,5 mil para realizar uma tomografia computadorizada e uma biópsia. Com o valor, a paciente iria passar na frente dos que esperavam na fila para fazer os exames oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a família, R$ 3 mil foram pagos no mesmo dia e, uma semana depois, os R$ 500 restantes foram pagos e filmados por uma câmera escondida. Na gravação, o médico ainda reclama por não ter recebido o pagamento total combinado. Após receber a quantia e avaliar o exame, o médico diagnosticou a presença de uma bactéria. Ele disse que a vítima tinha "estafilococos". Antes do pagamento, o profissional havia dito que poderia se tratar de câncer. Ao tomar conhecimento do ocorrido, a Secretaria da Saúde catarinense afastou o médico, que poderá ser exonerado.

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