Número de domicílios com abastecimento de água cresceu mais de 30% desde 2000, mas 12,4 milhões de residêcias ainda não têm acesso

Apesar de quase todos os municípios brasileiros contarem com abastecimento de água através de rede geral de distribuição, mais de 12 milhões (21,4%) de residências no País não tem acesso a essa rede. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB 2008).

Segundo o estudo, em 2008, apenas 33 dos 5.564 municípios brasileiros, espalhados em nove Estados, ainda permaneciam sem abastecimento de água por rede geral de distribuição, que é a retirada da água bruta da natureza, adequação de sua qualidade, transporte e fornecimento à população, em pelo menos um distrito ou parte em dele. Apesar do índice 99,4% dos municípios abastecidos, o déficit na prestação do serviço continuou elevado, com cerca de 12,4 milhões de residências no País sem acesso à rede geral.

Dos 33 municípios que não dispunham de rede geral de distribuição de água em nenhum de seus distritos, 21 (63,3%) são da região Nordeste, com destaque para a Paraíba (11 municípios) e Piauí (5); e sete (21,2%) na região Norte, a maioria de Rondônia, com 4 municípios. Nas PNSB de 1989, eram 180 municípios brasileiros nessa situação e, em 2000, 116.

O estudo do IBGE também mostra o avanço da quantidade de ligações residenciais de água nos anos de 2000 e 2008. Em relação à última pesquisa, o número de ligações cresceu 31,1%, passando de 34,6 milhões em 2000 para 45,3 milhões em 2008, um acréscimo de 10,7 milhões de ligações prediais. Entre as regiões, destaca-se o Nordeste, com crescimento de 39,2%, seguido pelo Centro Oeste, que cresceu 39,1%.

Domicílios abastecidos de água por rede geral

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IBGE

Apesar da evolução nos últimos 8 anos, ainda há um grande número de domicílios que não são atendidos pela rede de abastecimento de água por rede geral. Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o Brasil dispunha, em 2008, de 57,7 milhões de domicílios particulares permanentes. Cruzando as informações das duas pesquisas, chega-se ao número de cerca de 12,4 milhões (21,5%) de residências no Brasil sem acesso à rede geral.

O problema foi mais crítico no Norte do País, onde 54,7% dos domicílios encontravam-se nessa situação, seguido pelas regiões Nordeste (31,7%), Centro-Oeste (18,0%), Sul (15,8%) e Sudeste (12,5%). Em 11 das 27 unidades da Federação, a proporção de domicílios sem oferta do serviço foi igual ou superior a 30%, sendo os Estados de Rondônia (73,4%), Acre (64,2%), Pará (63,6%) e Amapá (59,4%) os que apresentaram os maiores índices.

Das mais de 40 milhões de ligações residenciais, 84,2% possuíam medidores de consumo. O crescimento de ligações com o uso de hidrômetros foi de 30,8% em relação à pesquisa de 2000, também com destaque para as regiões Norte (54,2%) e Centro-Oeste (53,1%).

A pesquisa ainda mostra que nos municípios com abastecimento de água por rede geral também pode ocorrer distribuição de água por outras formas, devido à inexistência, insuficiência e/ou ineficiência da rede. O IBGE identificou 827 municípios onde, independentemente da existência ou não de rede geral de abastecimento, ocorreu a distribuição de água por outras formas. Isso significa que em 14,9% municípios no País ocorre outro tipo de abastecimento que não seja a distribuição por rede. A região Nordeste (30,1%) tem a maior proporção de municípios com ocorrência de outras formas de abastecimento. Nesta região, chama a atenção a ocorrência dessa situação no Piauí (58,3% dos municípios), Ceará (35,9%) e Maranhão (30,4%).

Tratamento da água

Segundo a PNSB 2008, a maior parte dos municípios (87,2%) distribuía a água totalmente tratada. No entanto, em 6,2% a água era apenas parcialmente tratada e, em 6,6%, não tinha nenhum tratamento. Em 2000, os municípios onde não se realizava nenhum tipo de tratamento na água representavam 18,1% do País.

O Pará é o Estado que tem maior distribuição de água sem nenhum tratamento, com 40% dos municípios, seguido pelo Amazonas, com 38,7%. Dos 365 municípios do País que distribuíam água por rede geral sem nenhum tipo de tratamento, 99,7% tinham população com até 50 mil habitantes.

Racionamento


O estudo ainda faz uma relação sobre a qualidade do serviço de distribuição da água por rede de abastecimento. A PNSB mostra que em 1.296 (23,4%) municípios ocorreu algum tipo de racionamento de água. As regiões com maior ocorrência desse tipo de problema foram a Nordeste (40,5%) e a Norte (24,9%).

No Nordeste destacam-se os municípios de Pernambuco (77,3%), Ceará (48,9%) e Rio Grande do Norte (46,7%); no Norte, os Estados do Amazonas (43,5) e Pará (41,4%). Os motivos mais frequentes apontados pelos municípios para o racionamento de água são: problemas relacionados à seca/estiagem (50,5%), insuficiência de água no manancial (39,7%), deficiência na produção (34,5%) e deficiência na distribuição (29,2%).

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