LOS ANGELES ¿ Os fãs de Michael Jackson contam as horas para assistir no escurinho do cinema o resumo de horas de ensaios gravados do que seria o grande retorno do ídolo pop aos palcos, quando a morte impediu seu planos há quatro meses.

O filme dos últimos ensaios dessa turnê frustrada chega aos cinemas de 18 países nesta terça-feira. O espetáculo, com o título "This Is It", talvez restaure a reputação que Jackson teve como o maior artista do mundo e dê um selo de glória póstuma: os adolescentes que descobriram o ídolo após a morte e passaram a comprar os produtos relacionados ao mito.

"Existia este desejo de ter mais uma visita de Michael, mais uma experiência com ele. É poderoso, é emocionante, é entretenimento, é grande", afirmou à revista Rolling Stone o americano Kenny Ortega, diretor do documentário e coreógrafo do espetáculo que Jackson preparava para estrear 13 de julho em Londres.

Membros da família Jackson e estrelas são aguardados no tapete vermelho no teatro Nokia de Los Angeles, onde acontecerá a primeira exibição das mais de 15 premieres do documentário que chegará aos cinco continentes.

Rio de Janeiro e São Paulo também estão na lista de cidades que assistirão o documentário entre 27 e 30 de outubro.

O filme, com o mesmo nome da turnê que o rei do pop preparava, inclui centenas de horas de ensaios e cenas de bastidores, captadas em alta definição com som digital, assim como o falecido artista estava preparando seu grande retorno.

Kenny Ortega, diretor da franquia musical de sucesso da Disney "High School Musical", foi enfático: "O mundo verá o que esta equipe teve a sorte de viver, com o pleno compromisso, a paixão e a criatividade que Michael colocou neste projeto".

Mas como tudo que envolve Jackson não escapa da polêmica, um grupo de fãs protestou na internet por considerar que o filme esconde a verdade sobre os últimos dias do artista.

Estes fãs alegam que "This Is It" apresenta uma visão distorcida da condição do cantor, que morreu no dia 25 de junho vítima de uma parada cardíaca aos 50 anos, provocada por uma mistura letal de sedativos.

O motivo do protesto é o trailer do documentário, com cenas em que o cantor de "Thriller", que antes da morte vivia recluso entre excentricidades, aparece com os dotes de dançarino tão intactos como no auge do "moowalk".

As cenas mostram o artista negro que clareou a pele e fez tantas plásticas no nariz até quase perder o mesmo em pleno domínio do corpo e da voz, cantando "Human Nature", apesar de muito magro.

"Tivemos um forte instinto de que isto poderia ser um evento cultural, apesar de que nenhum de nós ter assistido as imagens antes de fechar o acordo", revelou o presidente de produção da Sony, Doug Belgrad, ao jornal Los Angeles Times.

O estúdio teria desembolsado 60 milhões de dólares pelos direitos das filmagens dos ensaios do rei do pop.

A Sony informou que muitos ingressos já foram vendidos nos Estados Unidos e que a procura foi grande em cidades como Londres, Sydney, Bangcoc e Tóquio.

Na capital inglesa, a distribuidora Vue Entertainment anuncioi que 30.000 ingressos foram vendidos em 24 horas.

Jeff Bock, analista de bilheteria da empresa Exhibitor Relations, afirmou à AFP que "This Is It" pode superar os números obtidos por Elvis Presley após sua morte.

"É mais uma celebração que um filme. Acredito que pode faturar entre 70 e 100 milhões de dólares apenas nos cinco primeiros dias na salas, o que é extraordinário para este tipo de filme", opina.

Por este motivo, Bock é cético no que diz respeito ao plano da Sony de limitar a exibição do documentário a apenas duas semanas em todo o mundo. "Não acredito nisto nem por um segundo", conclui.

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