A revelação brasileira Sandra Corveloni consagrada em Cannes

A brasileira Sandra Corveloni teve a carreira voltada para o teatro antes de encarnar uma comovente mãe de família em Linha de Passe de Walter Salles e Daniela Thomas, seu primeiro papel no cinema, pelo qual obteve neste domingo o prêmio de melhor interpretação feminina no 61º Festival de Cannes.

AFP |

Sandra Corveloni não pôde viajar a Cannes por motivos médicos. Havia perdido um bebê recentemente, explicou Daniela Thomas.

Já Walter Salles se disse "muito surpreso" com a escolha da Melhor Atriz, insistindo em estar "orgulhoso de fazer parte do cinema brasileiro e orgulhoso der ver o prêmio ser recebido por uma atriz estreante no cinema". Salles recebeu a láurea no lugar de Sandra, que não foi a Cannes.

Daniela Thomas fez um pronunciamento em português, enviando uma mensagem de solidariedade à atriz.

Nascida em 1965 em São Paulo, Sandra Corveloni, uma morena de olhar voluntarioso, trabalhava no teatro até se juntar ao grupo de Eduardo Tolentino, atuando ao mesmo tempo como atriz e assistente.

Debutou no cinema nos curtas-metragens "Flores Ímpares", de Sung Sfai, e "Amor" de José Roberto Torero.

Em "Linha de Passe", ela faz o papel de Cleuza, mãe de família de um bairro popular de São Paulo, que vive às voltas com problemas financeiros, mas estando sempre disponível para seus filhos. Sua atuação sóbria e tocante emocionou o júri.

Rodado com um pequeno orçamento, o filme acompanha também as expectativas e os sonhos abortados dos quatro filhos de Cleuza.

Dario, por exemplo, queria ser jogador mas vê com angústia chegarem os 18 anos, que cortarão suas esperanças de tornar-se profissional; Dinho trabalha num posto de gasolina e freqüenta com assiduidade a igreja do bairro; Denis vai de uma namorada a outra e sobrevive.

O mais jovem, Reginaldo, sai à procura de um pai desconhecido que sabe ser motorista de ônibus.

Grávida de um quinto filho, Cleuza perde seu emprego de diarista, mas se dedica, com todas as forças, a embelezar o cotidiano de seus filhos.

Com este filme de ficção realista, comovente e sóbrio, o cineasta Walter Salles disse querer fugir da grande dramatização, evitando fechar seus personagens num determinismo social, mas com um olhar direcionado à juventude brasileira.

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