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A psiquiatria, enfim, reconhecida

A psiquiatria, enfim, reconhecida Por Por Arthur Kaufman (*) São Paulo, 19 (AE) - Há não muitos anos a psiquiatria era considerada coisa para loucos. Ir ao psiquiatra para uma simples consulta equivalia a receber o título de louco.

Agência Estado |

O preconceito era tão grande que lembro de um paciente, com cerca de 60 anos, que dava uma volta pelo quarteirão antes de entrar no consultório - para ter certeza de não encontrar conhecidos que pudessem testemunhar seu tresloucado ato (e nem há letreiro na porta do consultório). Sem falar numa vizinha que, ao me conhecer pessoalmente, confidenciou-me que pensava ser aquela casa um "local de encontros’, por causa dos homens e mulheres que via entrar, e sair após uma hora lá dentro.

Uma revolução psiquiátrica foi realizada por Philippe Pinel, quando libertou os loucos das correntes, no final do século 18, fazendo com que eles fossem olhados de um jeito mais humano. No final do século 19 surgiu o médico vienense Sigmund Freud, com uma proposta de certa forma subversiva para o pensamento, ao eleger como objeto de conhecimento algo totalmente desconhecido: o inconsciente.

Hoje, se reconhece a importância da Psiquiatria no tratamento dos distúrbios mentais e emocionais, já com um preconceito muito menor. As inúmeras pesquisas existentes em genética, biologia molecular, neurociência, psicofarmacologia e psicoterapia elevaram o grau de prestígio que esta especialidade goza por parte de outras áreas da medicina. Este progresso acaba sendo usado no tratamento de várias patologias, como as esquizofrenias, as depressões, o transtorno bipolar, os transtornos alimentares e o abuso drogas, podendo levar à cura ou à redução dos sintomas.

(*) Arthur Kaufman é médico e professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP

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