A liberdade do artista no centro da Bienal de arte contemporânea em Moscou

Moscou prepara sua bienal de arte contemporânea intitulada Contra a Exclusão voltada para defender a liberdade do artista - um assunto sensível na Rússia onde os anticonformistas são, com frequência, alvo de ataques e de perseguições judiciais.

AFP |

O tema da terceira bienal de Moscou, de 25 de setembro a 25 de outubro, "diz respeito tanto aos direitos fundamentais do homem quanto ao mundo estético", destacou o curador francês do evento, Jean-Hubert Martin.

Serão apresentadas obras de cerca de 80 artistas de todos os continentes no Garage - templo moscovita de arte contemporânea aberto em 2008 pelo bilionário russo Roman Abramovitch.

"Através desta bienal, Moscou tentará reencontrar seu lugar na rede internacional de capitais da arte contemporânea", declarou à AFP Jean-Hubert Martin.

Para Martin, que falou também sobre o desafio de organizar a bienal, "a situação político-cultural é muito particular" na Rússia.

"Há processos, o que é uma coisa surpreendente para nós", prosseguiu.

Martin fez referência ao julgamento do curador russo, Andreï Erofeïev, processado junto com o ativista dos direitos Humanos, Iuri Samodourov, por terem organizado, em 2007, no museu Sakharov, uma exposição que tinha como objetivo protestar contra a censura na arte.

Os dois homens são acusados por uma organização ortodoxa de terem "atiçado o ódio".

Erofeïev foi, então, demitido, em maio de 2008 da Galeria Tretiakov onde havia promovido uma coleção de arte anticonformista.

Sua exposição sobre "sots-art" (movimento artístico soviético nascido nos anos 1970 para ironizar a propaganda oficial), apresentada também em Paris em 2007, provocou a cólera do ministro da Cultura da época, Alexandre Sokolov, que a denunciou como "uma vergonha para a Rússia", qualificando várias obras de "pornográficas" como a que mostra dois policiais se beijando.

Martin promete obras de pintores africanos ou aborígenes da Austrália, passando pelo conceitualismo e pelo formalismo. Uma dezena de artistas russos também serão representados na bienal.

Iossif Bakchtein, o curador russo da bienal, se diz otimista quanto ao futuro da arte contemporânea na Rússia ante os ataques "de organizações religiosas".

"Houve uma revolução com o aparecimento de Garage" que já expôs uma importante retrospectiva do célebre artista da época soviética Ilia Kabakov, sem falar na mostra de obras da coleção de François Pinault ou de Krasny Oktiabr, numa outra sala de arte contemporânea da moda na capital, adaptada numa fábrica de chocolate, comenta.

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