A importância da imunização no combate à gripe a H1N1 Por Ricardo Cunha* São Paulo, 18 (AE) - A gripe é motivo de atenção e preocupação constante das autoridades sanitárias mundiais, fato que se acentuou em 2009 com a circulação do H1N1 pandêmico, responsável por milhares de mortes, em vários países. Diante desse novo desafio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu essa pandemia como risco máximo de atenção e intensificou os esforços, junto à indústria farmacêutica, no sentido do desenvolvimento de uma vacina contra o H1N1, associando propostas de prevenção e terapêutica a esse novo evento.

Todo esse esforço resultou na produção e distribuição da vacina monovalente, contra o H1N1 pandêmico, aos países do hemisfério norte, para que os mesmos pudessem vacinar suas populações no período pré-inverno, onde haveria o maior risco de agravamento da pandemia. Não houve tempo hábil, no hemisfério norte, para a produção da vacina trivalente, como de regra é a proposição da OMS.

Para o hemisfério sul, a OMS propôs, como de costume, a composição de uma vacina trivalente onde contempla o H1N1 pandêmico e mais dois tipos de vírus que normalmente são parte constante das vacinas sazonais contra a gripe (A - H3N2 e B).

Esta vacina deve estar disponível no Brasil, na rede privada, a partir de março de 2010. Para a rede pública, o Ministério da Saúde optou pela vacinação contra o H1N1 pandêmico (monovalente) para as populações de maior risco para esse evento e complementar a vacinação com os outros dois tipos virais para a população idosa, segundo cronograma abaixo:

- 8/3 a 19/3 - população indígena e trabalhadores da rede de saúde
- 22/3 a 2/4 - crianças (seis meses a dois anos), doentes crônicos (diabéticos, doenças respiratórias, obesos)
- 5/4 a 23/4 - adultos de 20 a 29 anos
- 24/4 a 7/5 - idosos com mais de 60 anos, com doenças crônicas
- Grávidas podem ser vacinadas em qualquer etapa, exceto a primeira.

As redes particulares, como o Delboni Auriemo e Lavoisier Medicina Diagnóstica, oferecerão, a partir deste mês, a vacina trivalente, composta por cepas do vírus H1N1 pandêmico e outros dois tipos circulantes no hemisfério sul, um "A" e um "B".

Recentemente houve uma nova reunião dos técnicos da OMS para avaliar os riscos da pandemia do H1N1 e decidiu-se manter o alerta máximo até o final do inverno no hemisfério sul, portanto ainda não podemos relaxar nas medidas preventivas. Há que se ressaltar que mesmo a gripe sazonal é motivo de grande preocupação das autoridades sanitárias, pois é responsável por milhares de mortes anualmente em todo o mundo, particularmente em idosos, portadores de doenças crônicas e crianças, grupos de maior risco para a gripe sazonal. Contrariamente, as populações de maior risco para a gripe pandêmica são as de adultos jovens e também gestantes e crianças.

Diante disso propomos que vacinação seja feita tão logo esteja disponível nos serviços de saúde, para que a proteção seja precoce e eficiente.

A vacina contra a gripe apresenta até 90% de eficácia, tem efeitos protetores depois de 10 dias da data da aplicação e é indicada para todas as pessoas com idade superior a seis meses de idade. Ela deve ser aplicada anualmente, já que a composição proposta pela OMS também pode alterar-se a cada ano.

A reação adversa mais comum, pós vacinação, é a dor no local da aplicação, que atinge entre 10% e 20% dos vacinados. Os sintomas desaparecem espontaneamente entre 24 e 72 horas após receber a dose. A vacina não é indicada para pessoas com alergia comprovada à proteína do ovo, já que a produção é a partir de embriões de galinha.

É relevante lembrarmos que a gripe é caracterizada por febre alta, fraqueza, cefaleia e dor no corpo, além de congestão do sistema respiratório, podendo evoluir para pneumonia, sendo essa a sua principal complicação. Por isso é preciso estarmos atentos aos sintomas e procurar um médico imediatamente após constatá-los.

* Dr. Ricardo Ferreira da Cunha é médico com especialização em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, e responsável pela área de vacinas da DASA.

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