http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2010/03/19/serra+diz+que+vai+lancar+candidatura+em+abril+9433510.html target=_topO governador de São Paulo, José Serra (PSDB), deu a partida na sua candidatura à Presidência durante entrevista na TV nesta sexta-feira. A declaração aconteceu após muita pressão e tucanos e aliados chegaram a avaliar que o anúncio tardou-- e quase falhou--já que veio um mês após o PT lançar a pré-candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Assim com eles, políticos de todos os tempos assumiram suas candidaturas antes do registro oficial, que acontece em junho, e de maneiras curiosas.



No caso de Dilma, a sua campanha foi colocada na rua por Lula no final de 2008, mas a candidatura foi admitida pela ministra em 2009. Sempre em lançamentos de programas vitrines do governo, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa Minha Vida, Dilma se colocou como pré-candidata diversas vezes no ano passado, mas avançou agora em janeiro: Eu acho que o presidente tem de ter um sucessor à altura do governo dele. Eu gostaria muito que me escolhessem como essa sucessora. Não sou hoje.

Em agosto de 2009, foi a vez de Ciro Gomes e Marina Silva. O deputado federal dispensou qualquer cerimônia e alegou divergência de análise com o presidente Lula sobre a divisão do bloco governista em duas candidaturas à Presidência da República em 2010. Agora sou candidato a presidente, garantiu, após palestra no Rio. E deve cumprir o que disse, já que o PT não espera mais contar com o seu nome para o governo de São Paulo.

O ato de filiação da senadora Marina Silva ao PV foi uma dupla comemoração. Após 30 anos de militância, ela deixou o PT de olho na candidatura à Presidência em 2010. No discurso, em evento em São Paulo, teve clima de comício. Reuniu cerca de mil pessoas, entre simpatizantes e militantes, que ouviram de Marina a promessa de uma alternativa aos candidatos tradicionais.

Nós estamos aqui porque temos ideais diferentes, porque temos uma visão de mundo, disse a ex-ministra do Meio Ambiente, que lembrou de atritos com a ministra e futura adversária Dilma Rousseff quando ocupou o cargo.

Túnel do Tempo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ocupou o ministério da Fazenda do governo Itamar Franco com objetivo claro de se lançar candidato. Oficializou o seu nome em maio de 1994, em Contagem (MG), mas foi em abril, em Brasília, que confirmou o que já havia dito nos bastidores a aliados desde dezembro de 1993.

Ao sair do seu prédio dirigindo, não conseguia fazer pegar o Niva de sua filha. Cercado por jornalistas, FHC concordou quando comentaram que estava mais fácil dar a partida na sua candidatura. No dia seguinte, uma foto do presidenciável no melhor estilo campanha foi estampada na primeira página dos jornais.

Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, saiu em defesa de sua candidatura mesmo sem apoio do PSDB, que passou por uma longa negociação envolvendo José Serra e o então presidente do partido Tasso Jereissati (CE). O atual governador de São Paulo era o favorito, mas desistiu de disputar a indicação para a corrida eleitoral.

Enquanto Serra hesitava, Alckmin anunciava a conta gotas a sua candidatura. Falou, em agosto de 2005, à rádio CBN e confessou a sua vontade de chegar ao Planalto. Três meses depois, apareceu na TV Cultura, no programa Roda Viva e declarou que "o Brasil está preparado para dar um salto de qualidade" e que é preciso "sair desse marasmo e fazer as reformas que o atual governo não consegue fazer".

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