A história da liberdade de esxpressão através da moda

A história da liberdade de esxpressão através da moda São Paulo, 17 (AE) - No comecinho dos anos 60, a moda e a música, dois mundos aparentemente tão distantes, se esbarraram e firmaram uma parceria de sucesso que rende bons frutos até hoje. O tal casamento bem-sucedido - que fez com que o universo fashion se revolucionasse, tirando os holofotes dos grandes ícones da moda de Hollywood e focando nos jovens astros da cena musical - marcou uma geração, onde quem passa a assumir o poder é a turma da faculdade.

Agência Estado |

"Depois da recuperação da economia pós-2ª Guerra Mundial, os jovens passaram a consumir muito mais, já que sobrava um dinheirinho extra, afinal, eles trabalhavam mas continuavam morando na casa dos pais", explica Maria Claudia Bonadio, professora de história da moda do Centro Universitário Senac.

De acordo com a estudiosa, a explosão do rock foi fator determinante para transformar a cabeça dos pós-adolescentes, que viraram alvo fácil para as centenas de lojas de roupas. Para atraí-los, os comerciantes incrementavam os estabelecimentos, colocavam no último volume alguns dos hits dos Beatles e do cantor Elvis Presley e atendiam os clientes de uma maneira mais informal. O famoso jeito ‘descolado’.

"Foi o momento de democratização da moda. Antes, o que era fashion estava sempre ligado ao poder aquisitivo dos consumidores. Já nos anos 60, o que valia era mais o estilo pessoal, com looks distintos. Valia quase tudo." Com isso, a alta-costura (peças feitas sob medida) foi se enfraquecendo, dando lugar ao prêt-à-porter (roupas prontas para serem vestidas), tornando Londres, na Inglaterra, a cidade ditadora da moda mundial. Poder que se mantém até hoje.

A calça cigarrete e o vestido tubinho, por exemplo, fizeram a cabeça das garotas na época. Tudo, claro, com muita estampa psicodélica, geométrica e cores fluorescentes. Mas a grande vedete da década de 1960, sem dúvida, foi a minissaia. Historicamente, a estilista inglesa Mary Quant dividiu com o francês André Courrèges a criação de uma saia cortada pela metade. Porém, segunda a própria Mary, a ideia de produzir a peça não foi dos estilistas, mas sim dos jovens. "Foi a rua que a inventou", dizia a criadora na época.

"Como tudo que surgiu nos anos 60 remete à liberdade de expressão, a minissaia supre essa necessidade, tanto nos movimentos sociais femininos quanto nos ideais dessa geração", revela Rosmari Zonta, estilista e consultora de moda. Para fazer par com a peça-chave, botinhas baixas ou altas (brancas, de preferência), meia-calça colorida e collant completavam o look.

Além de Mary e Courrèges, outros costureiros deixaram sua marca nesses tempos, como Pierre Cardin e suas formas arredondadas, Paco Rabanne, que adorava utilizar materiais inusitados (ganchos, placas de plástico, metais) e Yves Saint Laurent, que desenvolveu um smoking feminino que emancipou, de fato, as mulheres.

PRIMEIRO CHANEL, DEPOIS CABELÃO
O estilo mais característico da década foi o chamado Lolita, que evocava uma jovem sedutora, com cabelos curtíssimos, que também significava independência. "A maioria das mulheres costumava usar o penteado ‘cogumelo’, que mais parecia um capacete. Esse estilo completava o visual", diz Rosmari.

Assim como as madeixas, a maquiagem, assim como hoje, exercia importante papel para as meninas. "Elas tinham de deixar a pele como a de uma criança, sem cor nos lábios, apenas brilho, porém os olhos tinham de ser bem marcados e grandes, com os cílios inferiores pintados com delineador, iguais aos da modelo Twiggy." A moça foi uma das responsáveis por dar o pontapé na ditadura da beleza magra no mundo da moda e é considerada a cara da década.

No entanto, quase no começo dos anos 70, as meninas se rebelaram e decidiram se descabelar. Provavelmente, elas estavam cansadas do trabalho que dava para manter os fios curtos e, por isso, pegaram carona na onda hippie - que estava surgindo - e radicalizaram: o cabelo cresceu, o pente virou acessório dispensável e as faixas e laçarotes viraram os melhores amigos das meninas. "Não foram todas as mulheres que adotaram esse visual logo de cara. Demorou um tempinho para elas começarem a se adaptar com tanta rebeldia e desapego com penteados tão certinhos", garante o personal stylist Fábio Cunha.

Tal revolta também está ligada diretamente ao movimento estudantil contra o sistema de ensino, em 1968, iniciado em Sorbonne, na França, cuja agitação contagiou diversos países, onde a sociedade se revoltou e passou a avaliar seus costumes e a maneira que eram tratados. "A tradução é: as pessoas queriam ainda mais liberdade. Muito mais do que já tinham conseguido, que era um grande avanço", completa Cunha. Tantos contrastes preparavam o clima para o que estava por vir na década de 1970.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG