Eleito em 2002, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a montar e equipe que o ajudaria no primeiro mandato. Para o ministério de Minas e Energia, convidou Dilma Rousseff. Braço direito do presidente Lula, Dilma reorganizou o setor elétrico, defendeu uma nova política industrial para o governo e propôs acelerar as metas de universalização do acesso à energia elétrica.

Sob a sua gestão, foi lançado o programa Luz para Todos, em 2003, que tinha o  desafio de acabar com a exclusão elétrica no País.  A meta era levar energia elétrica para mais de 10 milhões de pessoas do meio rural até o ano de 2008. O governo alega que durante a execução do programa, novas famílias sem energia elétrica em casa foram localizadas e o Luz para Todos foi prorrogado para ser concluído neste ano, quando a meta passou a ser de 2 milhões para quase 3,1 milhões de famílias.

O programa alcançou a marca de 2 milhões e 235 mil ligações de casas até dezembro do ano passado. Para 2010, no entanto, o governo federal já admitiu que a meta de atender mais 800 mil famílias neste ano não será cumprida - o que deve esticar o programa para além do prazo.

Na Casa Civil, quando assumiu em 2005, coordenou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o marco regulatório do pré-sal e o projeto social "Minha Casa Minha Vida".

PAC

No último balanço do PAC 1, feito em fevereiro, o governo disse que as ações já concluídas somam R$ 256,9 bilhões ou 40,3% do total. Embora 54% dos 12.163 empreendimentos previstos no primeiro PAC não tenham saído do papel desde 2007 - data de seu nascimento - o programa que virou vitrine eleitoral para a ex-ministra já tem duas fases. Chamada de "mãe do PAC", Dilma lançou a continuação do programa no último dia 29.

O PAC 2 mira o eleitor das grandes cidades, apresenta um pacote de verbas para saúde e educação e faz promessas de cunho "municipalista", como construir 6 mil creches e postos de polícia comunitária.

As previsões de investimentos somam a astronômica quantia de R$ 1 trilhão. A cifra inclui estimativas de desembolsos do governo, das estatais e de empresas privadas para o período de 2011 a 2014, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já estiver fora do Palácio do Planalto.

Minha Casa Minha Vida

A primeira edição do "Minha Casa, Minha Vida" foi lançada em março do ano passado, prevendo 1 milhão de moradias e com subsídios de 34 bilhões de reais pelo governo.

No último dia 29, o governo federal apresentou o "Minha Casa, Minha Vida 2", programa habitacional que agora integra a nova versão do PAC 2 e prevê 2 milhões de moradias até 2014. Três quintos das habitações, ou 1,2 milhão de unidades, serão destinadas a famílias com renda mensal de até R$ 1.395. Outras 600 mil residências serão para famílias com renda entre R$ 1.395 e R$ 2.790, enquanto as 200 mil casas restantes irão para aqueles com renda de R$ 2.790 a R$ 4.650.

O "Minha Casa, Minha Vida 2" terá subsídios do governo de R$ 71,7 bilhões. Desse montante, R$ 62,2 bilhões sairão do Orçamento Geral da União e R$ 9,5 bilhões sob a forma de financiamentos.

Além disso, o programa prevê R$ 176 bilhões em financiamentos com recursos da poupança para compra dos imóveis.

Todas as residências a serem construídas no "Minha Casa, Minha Vida 2" terão aquecimento por energia solar.

Até 1º de março, foram contratados quase 331 mil imóveis no âmbito do programa, inferior à meta da Caixa Econômica Federal - banco público fomentador do programa - de atingir 400 mil unidades no final de 2009.

Pré-sal

Em agosto do ano passado, o governo transformou o anúncio do marco regulatório do pré-sal em palanque para a ex-ministra.

Dilma disse que os recursos do pré-sal abrem uma "oportunidade única" para o Brasil. A camada pré-sal é campo de petróleo recém-descoberto a cerca de oito mil metros de profundidade, no mar territorial brasileiro. A riqueza escondida pode chegar a US$ 7 trilhões, segundo estimativas não-oficiais.

O valor foi calculado sobre a quantidade de barris que devem variar entre 50 e 100 bilhões. Assim, multiplicando por R$ 70 (preço recente da commodity), chega-se a essa cifra trilionária.

Polêmicas

Em 2008, Dilma foi envolvida em uma denúncia da revista "Veja" que dizia que a Casa Civil teria  montado um dossiê que detalhava gastos da família do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dilma negou a confecção do documento.

Em 2009, uma nova polêmica. A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira afirmou que havia tido um encontro com a ex-ministra Dilma Rousseff, no qual a então chefe da Casa Civil teria feito um pedido para agilizar a investigação sobre o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A pré-candidata negou o encontro.

Com Reuters e Agência Estado

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