¿A Festa da Menina Morta¿, de Matheus Nachtergaele, é a última atração do 36º Festival de Cinema de Gramado

GRAMADO ¿ O último filme a ser exibido na mostra competitiva do 36º Festival de Cinema de Gramado, hoje à noite, é também um dos candidatos mais fortes ao kikito. ¿A Festa da Menina Morta¿, que estreou em Cannes este ano, é a primeira incursão do ator Matheus Nachtergaele na direção.

Fabio Prikladnicki |

A gestação do projeto vem desde 1999, durante as filmagens da minissérie O Auto da Compadecida, de Guel Arraes. Na ocasião, Matheus conheceu uma comunidade que realizava uma ritual que misturava reza e festa em veneração aos trapos de uma menina que havia sido morta.

Fiquei me perguntando para o que eles estavam rezando. O que havia sobrado? O que não havia morrido?, comentou o diretor, ao lado dos atores Paulo José e Cássia Kiss e de membros da equipe. A inquietação o inspirou para elaborar a história do filme, em que o personagem Santinho passa a ser considerado uma espécie de líder espiritual de uma comunidade ribeirinha no Amazonas após encontrar os trapos de uma menina, a exemplo da religião que o diretor havia testemunhado na vida real. A produção foi rodada em Barcelos, cidade distante 400 km de Manaus.

Procurei fazer um retrato bem íntimo e promíscuo dos personagens, disse Matheus. Uma das questões polêmicas levantadas pelo filme diz respeito a uma cena de incesto entre um pai e um filho. Comentaram que algumas pessoas se levantaram, em Cannes, durante a cena. Na verdade, essas pessoas se levantaram depois, revoltadas quando viram que não há uma condenação moral dos personagens no filme, afirmou.

E lançou mais lenha na fogueira: O tabu do incesto faz sentido quando o sexo é para gerar filhos, por causa da relação consangüínea. Mas, entre pai e filho, qual o problema? Eles podem, a rigor, fazer o que quiserem.

O incesto, no entanto, não é o tema principal da obra, papel que cabe à religião. Eu queria que essa seita inventada tivesse aspectos das diversas religiões do Brasil, como o catolicismo, o candomblé, as religiões espíritas e a pajelança, disse Matheus.

O fato de a produção ser localizada em uma cidade do Amazonas também não é fruto do acaso. Uma das coisas que temos que fazer é trazer a Amazônia de volta para o Brasil. Não se faz um bom filme de ficção sobre a Amazônia desde o Bodanzky, disse, em referência ao filme Iracema ¿ Uma Transa Amazônica (1976), de Jorge Bodanzky e Orlando Senna.

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