A difícil escolha de mudar de escola

A difícil escolha de mudar de escola Por Luisa Alcalde São Paulo, 09 (AE) - Mudar os filhos da escolinha, onde entraram ainda bebês, para as ‘escolonas’, quando a obrigatoriedade do ingresso no 1º ano do ensino fundamental - agora aos 6 anos - bate à porta deixa famílias em dúvida. Deixá-los onde estão até completarem 5 anos ou tirá-los um ano antes para que tenham tempo de se adaptar aos novos espaços, métodos e amigos? Será que com 4 anos estão maduros para enfrentar esse desafio? Para quem pensa em antecipar a mudança, a decisão tem de ser rápida.

Agência Estado |

Logo após as férias de julho, as escolas começam a fazer as pré-reservas de matrículas para o ano que vem. Pela nova lei, em 2010 alunos com 6 anos devem cursar o 1º ano do fundamental.

Um termômetro de que a antecipação tem ocorrido desde que a legislação mudou é a elevada procura pelas classes do infantil (de 3 a 5 anos)de alunos migrados de escolinhas para o Colégio Nossa Senhora Aparecida, de Moema, zona sul de São Paulo, um ano antes de terem de ingressar no fundamental. "A procura tem sido grande. Os pais nos dizem preferir que os filhos passem um ano se familiarizando com a nova escola", diz a orientadora pedagógica Beatriz Gallian.

A especialista em educação infantil Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), defende outra saída. Para ela, é importante a criança fechar o ciclo na escolinha em que está até completar os 5 anos para recomeçar outro. "Não necessariamente ela terá dificuldades de adaptação nas escolas grandes porque em um ano a criança amadurece muito emocionalmente. Antecipar não vai garantir o processo de maturação", afirma.

Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo Rubens Barbosa de Camargo, o que os pais têm de pesar no ano que antecede a entrada do filho no sistema formal são as propostas pedagógicas oferecidas e se as ‘escolonas’ adequaram seus espaços físicos. "Esses estabelecimentos precisam oferecer mais locais onde elas possam continuar brincando já que a infância não se encerra aos 5 anos. Essa transição tem de ser gostosa para que continuem a gostar de escola."

A pedagoga Ana Lúcia Denda, dona da Escola de Educação Infantil ABC, na Vila Clementino, zona sul, também acredita que o melhor é aguardar a maturação emocional e o desenvolvimento natural da criança para tomar a decisão de mudar. "A ansiedade dos pais pode quebrar etapas importantes", defende. Há crianças que mesmo com 5 anos, segundo Ana Lúcia, necessitam permanecer em escolinhas.

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"A DOR DA PARTIDA TAMBÉM AUXILIA NO AMADURECIMENTO"
As amizades travadas na primeira infância podem dificultar a decisão dos pais para a mudança de escola. Afinal, como ver as crianças terem de ‘abandonar’ os coleguinhas? A psicopedagoga Maria Cecília Castro Gasparian, doutora pela Pontifícia Universidade Católica, diz que as decisões dos pais não podem se pautar exclusivamente pelas amizades dos filhos. "A dor da partida também faz parte do crescimento e auxilia no amadurecimento", diz.

"É natural aparecer nas crianças o desejo de ir para onde irão os amigos. Mas elas não têm condições emocionais de decidir isso. Elas têm uma capacidade de adaptação incrível, formam novos vínculos rápido, caso os amigos sigam outros caminhos", diz Regina Teles, orientadora pedagógica da Creche Carochinha de Ribeirão Preto, no interior do estado. "Quem vai garantir que eles continuem amigos na nova escola? Essa decisão, de responsabilidade, cabe aos adultos, aos pais. Se a escolha coincidir com o desejo da criança, ótimo", completa.

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