A culpa

A culpa Por Por Maura Albanesi (*) São Paulo, 10 (AE) - Embora não pareça, a culpa é um sentimento muito estudado e debatido. Tanto é que, em site de busca, só a sua citação faz aparecer 23.

Agência Estado |

400.000 itens de pesquisa. Dentre várias emoções negativas que sentimos, no sentido objetivo, ou intersubjetivo, a culpa é um atributo que um grupo aplica a um indivíduo, ao avaliar os seus atos, quando esses atos resultaram em prejuízo a outros ou a todos. Esta é uma emoção de atos recorrentes. Indica que fizemos algo considerado impróprio, e ainda continuamos a fazer. Como se estivesse "martelando na mente", o pensamento persiste e transborda para a emoção. Embora não pareça, é um sentimento negativo, que pode deixar a pessoa vulnerável aos pensamentos de raiva de si mesmo, o que pode gerar autopunição e desequilíbrio emocional.

O perigo é que, muitas vezes, a pessoa que não faz o que gostaria de fazer, ou tem dificuldade em dizer não, se transforma em alvo fácil para sentimento de culpa. Ele aparece porque o arrependimento de ter feito algo contrário a sua vontade toma conta. Ao contrário, quando fazemos algo errado e temos a certeza de que, em hipótese alguma cometeremos o mesmo erro, o sentimento é de amor e de reconhecimento. "Errei, mas não erro mais". Podemos até falar com certo orgulho, não do erro, mas da nova percepção do mundo e do quanto aprendemos.

Sem o sentido de culpa jamais haveria crescimento. Um psicopata, por exemplo, não tem culpa, mata e acredita que é certo, não tem consciência do certo e do errado. A culpa denota que a pessoa tem ciência do que fez, apenas não está querendo mudar, e prefere se martirizar a abrir mão de algo. Dentre várias indagações que devemos fazer diante do sentimento de culpa estão: "onde estou errando"? "O que posso fazer de diferente?" "Quero realmente fazer isso?"
A culpa nos deixa estagnados no passado, roubando energia para a execução do presente. A raiva nos remete para a ação, às vezes impulsiva, podendo acarretar arrependimento e conseqüentemente culpa. É importante reviver passo a passo do fato que causa culpa, para resgatar a potência da energia da ação e redirecioná-la.

(*) Maura de Albanesi é psicoterapeuta, pós-graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica; Master Pratictioner em Neurolingüística e mestranda em Psicologia e Religião pela PUC.

(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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