A crise se agrava para os grupos de imprensa britânicos

A crise está se agravando para os grupos de mídia britânicos com o anúncio em uma semana do corte de mais de 2.300 empregos, além das demissões esperadas para os próximos dias.

AFP |

A imprensa escrita e seu modelo econômico foram particularmente atingidos: as vendas estão caindo muito (os leitores estão migrando para os sites), a queda das receitas publicitárias está se ampliando e os jornais gratuitos saturam os mercados num momento de forte alta dos preços do papel.

Apesar de ser difícil contabilizar com precisão os empregos perdidos no setor, a Press Gazette estimou recentemente em 140 por semana em média desde julho os cortes de empregos nos jornais, em particular dentro das redações de uma imprensa regional literalmente acidentada.

Todos os jornais nacionais anunciaram este ano cortes em seus efetivos. As rádios e redes de televisões vivem o mesmo cenário, com previsões de demissões de milhares de funcionários, sobretudo na BBC (3.000), ITV (1.000) e Channel 4 (150).

A editora escocesa Johnston Press, que publica 18 jornais regionais e cerca de 300 semanários locais, confirmou uma diminuição desde o início do ano de 12,4% dos efetivos de seus jornais.

O Trinity Mirror, maior grupo de imprensa (cinco jornais e 150 títulos regionais) anunciou uma baixa de 46% das receitas tiradas dos pequenos anúncios imobiliários. O crescimento das receitas ligadas à internet não passa de 5%, com queda de 13% da renda do grupo.

O grupo Daily Mail (DMGT) deve tornar público quinta-feira um plano de economia de 30 milhões de libras (38 milhões de euros) com até 300 cortes de empregos, principalmente em Londres (Evening Standard e Metro).

Além dessas e outras demissões anunciadas, há rumores sobre a possível venda do jornal The Independent (e de sua edição de domingo), que tem muitas dívidas.

Somente o jornal nacional, o Financial Times (+0,5%, 451.000 exemplares), registrou alta, fraca, de sua difusão em outubro de sua edição britânica, em relação ao ano anterior.

Para todos os outros, mês após mês, a queda das vendas continua se aprofundando.

Já os jornais gratuitos (quatro atualmente na concorrência em Londres) estão resistindo: a difusão continua estável. Um deles, o City AM (gratuito econômico da manhã), está inclusive lançando edições regionais em Edimburgo e Manchester.

pl/lm

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