A crise não é tão grande assim

A cúpula do PMDB força a mão nos Estados para conseguir o máximo dos diretórios regionais do PT e até para forçar a intervenção da cúpula petista nacional, mas a situação não é tão grave assim.

Tales Faria, iG Brasília |

A aliança nacional já está praticamente fechada. Não vejo mais como voltar atrás, tem dito o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). É natural que cada partido force a mão, mas só vejo as coisas avançarem, arremata o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG).

Na verdade, uma análise Estado por Estado mostra que, hoje, há muito mais proximidades do PMDB nos Estados com o PT do que, por exemplo, com o PSDB, o que dificultaria uma mudança de rumos. Por exemplo:

Nordeste

Por conta da alta popularidade do presidente Lula no Nordeste, esta é a região onde os acordos do PMDB com o PSDB tendem a ser mais difíceis. 

Mesmo em lugares difíceis, como na Bahia, já se vislumbra acordo entre PT e PMDB. O pré-candidato peemedebista ao governo, Geddel Vieira Lima, ainda não emplacou nas pesquisas e o presidente Lula já começa a trabalhar para tentar convencê-lo a se acertar com o governador petista Jaques Wagner.

Nós estamos abertos a um acordo. É só o grupo do Geddel concordar. Temos conversado, inclusive, com muitos peemedebistas aqui do Estado, afirma o presidente do PT na Bahia, Jonas Paulo.

Em Sergipe, no Piauí, no Ceará e na Paraíba a aliança PMDB-PT é tida como muito bem encaminhada. E onde ela é mais difícil de ocorrer no nível local, como em Alagoas, Maranhão, Bahia e Rio Grande do Norte, está livre o caminho para que os dois partidos abram palanque para Dilma Rousseff. Só em Pernambuco os peemedbistas já decidira apoiar o tucano José Serra.

Sul

O PMDB do Rio Grande do Sul já foi visto como um aliado em potencial do candidato do PSDB a presidente, José Serra. Hoje a hipótese mais provável é que o PMDB saia com José Fogaça como candidato ao governo, contra o petista Tarso Genro.

Mas, a nível nacional, os peemedebistas gaúchos ficariam liberados: a maioria, liderada pelo senador Pedro Simon, manifestando simpatia pela gaúcha Dilma Rousseff. A governadora tucana Yeda Crusius anunciou a disposição de ser candidata, monopolizando o palanque de Serra e liberando mais ainda os peemedebistas.

Serra mantém a preferência do PMDB de Santa Catarina, que vai apoiar a candidatura a governador de Raimundo Colombo (DEM). Mas, no Paraná, o partido, liderado pelo imprevisível governador Roberto Requião, pode seguir para qualquer lado. Inclusive lado nenhum.

Sudeste

O candidato do PSDB, José Serra, deve conseguir o apoio oficial do PMDB de São Paulo, para montar chapa com Orestes Quércia como candidato ao Senado. Mas, se Michel Temer for mesmo vice de Dilma, uma parcela dos peemedebistas no Estado deve fazer campanha para Dilma.

Em Minas, quem mais teria de se preocupar era Hélio Costa, o peemedebista primeiro colocado nas pesquisas para governador, já que o PT tem batido pé pela candidatura do partido ¿ ou do ministro Patrus Ananias, ou do ex-prefeito Fernando Pimentel. Mas  próprio Hélio Costa diz ao iG que agora está otimista: Acho que do nosso lado e do lado deles está havendo uma boa vontade cada vez maior. Acredito muito num acordo.

No Rio de Janeiro, o apoio do PT à reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB) já é certo.

Centro-Oeste

O maior problema para Dilma Rousseff é no Mato Grosso do Sul, onde o governador, Andre Puccinelli (PMDB), é candidato à reeleição sob forte oposição dos petistas. Daí ele ter dito que apoiará José Serra. É jogo de pressão, mas nós continuaremos com o Zeca do PT, insiste o presidente do diretório regional petista, Marcos Garcia.

Mas já no Estado do Mato Grosso o PT deverá apoiar o PMDB, assim como em Goiás. Em Brasília, depois que estourou o escândalo em torno do governador José Roberto Arruda, o líder local do PMDB, Tadeu Filipelli, se aproximou do PT e tende a apoiar o candidato petista.

Norte

Na região Norte, somente no Acre os peemedebistas tendem a apoiar o candidato tucano a presidente. Lá o PT é governo e o PMDB faz oposição cerrada.

Mas, no Amazonas ¿ Estado do virulento ex-líder do PSDB no Senado Arthur Virgílio Netto - o próprio presidente Lula entrou nas articulações para isolar os tucanos, com um chapão liderado pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), como candidato ao governo e o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) para o Senado.

No Pará, Jader Barbalho (PMDB) e a governadora Ana Julia Carepa (PT) fazem uma tremenda mise-en-scéne antes do acerto. Mas, mesmo que não fechem o acordo, Jader Barbalho e os peemedebistas estarão no palanque de Dilma, que também já tem como certo o apoio do PMDB em Rondônia e Roraima.

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