A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil, diz ONG

Estudo de ONG Suíça mostra que uma em cada quatro brasileiras é vítima de violência doméstica

Agência Brasil |

Uma em cada quatro mulheres sofre com a violência doméstica no País. É o que constata um estudo da organização não governamental (ONG) Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (Cohre), intitulado Um Lugar no Mundo, com sede em Genebra, na Suíça. A cada 15 segundos uma mulher é atacada, mas grande parte delas continua morando com o agressor.

Fabio Pozzebom/Agência Brasil
Dependência econômica impede mulheres de se livrarem de ciclo de agressão
Isso porque grande parte não dispõe de condições financeiras para sobreviver sem a ajuda dos companheiros, maridos e namorados. No Brasil, 24% das entrevistadas disseram que não se separam porque não têm como se sustentar.

 O estudo divulgado nesta sexta-feira mostra que, além do Brasil, na Argentina e na Colômbia os índices de violência doméstica são elevados e de 30% a 60% das mulheres sofreram agressões.

Nesses países, o estudo informa que a “falta de acesso a uma moradia adequada, incluindo refúgios para mulheres que sofrem maus-tratos, impede que as vítimas possam escapar de seus agressores". Segundo o documento, “a dependência econômica aparece como a primeira causa mencionada pelas mulheres dos três países como o principal obstáculo para romper uma relação violenta”.

No Brasil, 70% das vítimas de violência foram agredidas dentro de casa e, em 40% dos casos, houve lesões graves. Das mulheres assassinadas no país, 70% sofreram agressões domésticas. A ONG informa ainda que esses problemas afetam, principalmente, as mulheres pobres que vivem em comunidades carentes.

A maior parte das vítimas não exerce atividades profissionais fora de casa. No Brasil, 27% das entrevistadas disseram que se dedicam ao lar. Na Argentina e na Colômbia, 25% das mulheres se declararam como donas de casa. Algumas delas afirmaram que não têm outras atividades profissionais por desejo dos companheiros.

“O direito à moradia adequada ultrapassa o direito de ter um teto sobre sua cabeça. É o direito de viver em segurança, em paz e com dignidade. É obrigação do governo assegurar esse direito às vítimas de violência doméstica", disse a responsável pelo setor de Peritos sobre as Mulheres da ONG Cohre, Mayra Gomez. “Por muito tempo, a relação entre violência doméstica e direito à habitação tem sido negligenciada pelos políticos. É tempo de os governos da América Latina corrigirem este erro", acrescenta.

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