94% dos internautas do iG discordam da libertação de Daniel Dantas

SÃO PAULO - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, concedeu habeas-corpus a Daniel Dantas e deu novamente liberdade ao banqueiro, que cumpria prisão preventiva na sede da Polícia Federal em São Paulo, acusado de tentar subornar um delegado durante as investigações da Operação Satiagraha. De acordo com a enquete do iG, 94% dos internatuas discordam da decisão e apenas 6% concordam. Mais de 4 mil pessoas votaram na enquete.

Redação |

A operação Satiagraha, da Polícia Federal, foi desencadeada na terça-feira (8), com cerca de 300 policiais cumprindo 24 mandados de prisão e 56 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Segundo a Polícia Federal, os presos na operação são suspeitos dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

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Dantas deixa a prisão pela 2ª vez
As investigações da Polícia Federal se iniciaram há quatro anos, como desdobramento do caso "Mensalão". A PF identificou na investigação pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério, que já está sendo processado pelo mensalão, para intermediar e desviar recursos públicos.

O chamado esquema do mensalão envolvia o suposto pagamento de dinheiro a deputados da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em troca de apoio no Congresso. As denúncias do esquema derrubaram figuras importantes do governo petista, como o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.

Segundo a PF, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério desviava recursos públicos para o mercado financeiro. A Polícia Federal informou que o esquema seria comandado pelo banqueiro Daniel Dantas.

Os policiais federais descobriram a existência do que a PF descreve como "uma grande organização criminosa", comandada pelo empresário Daniel Dantas, que estaria envolvida na prática de diversos crimes, a partir de informações e documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal. De acordo com a PF, o grupo tinha várias empresas de fachada usadas para a prática dos delitos, principalmente desvio de verbas públicas.

Foi descoberta também pela PF, ao longo da investigação, a existência de um suposto segundo grupo formado por empresários e doleiros que atuariam no mercado financeiro para "lavar" dinheiro obtido em negócios escusos. Este grupo era comandado pelo megainvestidor Naji Nahas, segundo a PF. Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização atuava no mercado paralelo de moedas estrangeiras, ainda de acordo com a Polícia Federal, que diz que há indícios de recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano).

Para a PF, as duas organizações criminosas atuavam de forma interligada, com vários níveis de poder e decisão.

O nome escolhido para a operação, Satiagraha, significa resistência pacífica e silenciosa.

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