73 são presos em operação da PF

Entre detidos estão ex-secretário de Meio Ambiente, chefe de gabinete do governador e mulher de deputado; outros 18 são procurados

iG São Paulo |

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação para prender 91 suspeitos de extrair, transportar e comercializar ilegalmente produtos florestais na Amazônia mato-grossense. A Operação Jurupari ocorre em diversos municípios de Mato Grosso e nos Estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande Sul e Espírito Santo, com objetivo de reprimir as práticas ilegais na região, principalmente com os produtos provenientes do interior e do entorno de áreas protegidas. Os agentes também cumprem 91 mandados de busca e apreensão. Até agora 73 pessoas foram presas pelos agentes federais. 

Entre os presos na operação estão o ex-secretário de Estado e Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema), Luiz Henrique Daldegan, o ex-adjunto do órgão, Afrânio Migliari, o chefe de gabinete do governador, Silvio Corrêa, e a mulher do presidente da Assembleia Legislativa (AL), deputado José Riva (PP), Janete Riva. Além deles, também foram detidos madeireiros, proprietários rurais e engenheiros florestais. Os mandados de prisão foram determinados pelo juiz federal da Primeira Vara de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva.

AE/JOAB BARBALHO
Janete Riva, mulher do presidente da Assembleia Legislativa de MT, José Riva (PP), é conduzida por policiais na chegada à carceragem da Polinter, em Cuiabá
A pedido da PF, a Justiça Federal em Mato Grosso também decretou o sequestro e indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos, bem como o afastamento preventivo de todos os servidores indiciados. O valor mínimo dos danos ambientais causados pelos investigados, nestes últimos anos, somado, é de aproximadamente R$ 900 milhões. 

Segundo a PF, a ação é fruto de cerca de dois anos de investigações. Além de madeireiros e proprietários rurais, entre os suspeitos estão engenheiros florestais e servidores públicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) que eram responsáveis por produzir e aprovar licenciamentos e planos de manejo florestal fraudulentos, necessários para legalização e comércio de madeira. Foram apuradas irregularidades em pelo menos 68 empreendimentos e propriedades rurais. 

A corporação identificou os crimes de fraude na concessão de licenciamentos e autorização de desmatamentos; disponibilidade de créditos florestais fictícios, e que permitem o desmatamento e retirada ilegal de madeira de áreas não documentadas, especialmente de terras públicas e áreas protegidas; e transporte, processamento e comercialização destes produtos pelas serrarias e madeireiras, as quais recebem o produto "esquentado" com documentação fraudulenta. 

Após interrogatório, os presos serão encaminhados ao sistema prisional e responderão pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, furto, grilagem de terras, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informática, além de diversos delitos previstos na Lei de Crimes Ambientais.

Esta não é a primeira vez que uma operação da PF prende membros da cúpula do governo de Mato Grosso. Em 2005, a operação Curupira deteve o então secretário de Meio Ambiente Moacir Pires por um sistema equivalente de fraude ambiental. O secretário foi demitido na época.

Perseguição política

Em defesa da mulher, o presidente da Assembleia Legislativa informou que o juiz federal que decretou a prisão faz perseguição política a ele, pois "existe um viés político" na decisão.

"Na impossibilidade do (juiz) Julier me prender, quem está mais próxima a mim é ela", disse Riva a jornalistas em Cuiabá. Ele também listou no Twitter o argumento de que tudo foi feito para atingi-lo. "Janete é só mais uma vítima do sensacionalismo e da incoerência", afirma.

Julier é autor de decisões na Justiça Federal que desde 2003 investigam o deputado de Mato Grosso.

O advogado do ex-secretário do Meio Ambiente do Estado, Paulo Taques, explicou que a acusação contra seu cliente é de que ele, "na condição de secretário de Meio Ambiente teria favorecido alguns planos de manejo". Ele diz não haver fundamento para deter Daldegan. "O juiz transcreveu dois grampos de engenheiros agrônomos e servidores da Sema".

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