50% dos cadeirantes têm dores freqüentes, alerta fisioterapeuta

Depois do sofrimento e limitações causadas pela perda de movimentos, portadores de lesões medulares, como a paraplegia (perda da função motora das pernas), sofrem novamente: são dores freqüentes nas mãos, pulsos, cotovelos, decorrentes do uso de cadeiras de rodas inadequadas ou da falta de orientação para utilizarem o equipamento. O alerta foi realizado pela fisioterapeuta norte-americana Kendra Bertz durante o 2º Simpósio Brasileiro de Adequação Postural em Cadeira de Rodas, realizado na última semana de agosto em São Paulo e organizado pela Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e por uma fabricante de cadeira de rodas.

Agência Estado |

“Cerca de metade dos que usam cadeira de rodas tem dores nos braços”, destacou a fisioterapeuta, que citou dados compilados ao longo de nove anos por um painel de especialistas e entidades de usuários financiados pela organização Veteranos Paralisados da América, que nos Estados Unidos dá suporte a pessoas que tiveram lesões medulares ao lutar em guerras.

O trabalho reuniu mais de cem estudos experimentais, de observação e revisões de literatura para organizar um guia de prevenção contra problemas nos membros superiores após as lesões medulares, disponível no site www.pva.org.

Segundo Kendra, que trabalha para o governo norte-americano, o uso contínuo e inadequado do equipamento afeta a qualidade de vida, da respiração à independência para realizar tarefas, o que demonstra a necessidade de que os cadeirantes levem para casa a cadeira mais adequada às suas necessidades, ou seja: aquela que garante estabilidade do tronco e pélvis, com almofadas que balanceiem adequadamente a pressão do corpo para evitar feridas e que garantam movimentos suaves e não lesionem as articulações.

No Brasil, especialistas em reabilitação reivindicam, desde o fim do ano passado, que o Ministério da Saúde passe a financiar também a adequação das cadeiras às necessidades dos pacientes, o que não está previsto na tabela de procedimentos que remunera os serviços de reabilitação. "Com recursos, seria possível bancar encostos de cabeça, cintos para garantir estabilidade, almofadas melhores, rodas adaptadas", exemplifica a secretária dos direitos da pessoa com deficiência do Estado de São Paulo, Linamara Battistella, responsável também pela Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

AE

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