38 prédios históricos em São Luís correm risco de desabar, diz Defesa Civil

SÃO LUÍS - No último levantamento realizado pela Defesa Civil Municipal, divulgado nesta segunda, foram constatados 38 prédios do Centro Histórico em situação de risco de desabamento. As principais causas apontadas pela vistoria foram estruturas rachadas, paredes e tetos escorados em pedaços de madeiras. Deste total de imóveis analisados, 17 estão situados na Rua da Palma. O número reflete desespero de famílias ludovicenses que vivem nesses locais, segundo o jornal O imparcial.

Agência Nordeste |

A inspeção realizada ao longo dos últimos dois meses verificou que a Rua da Palma, via que abriga uma das mais famosas obras da arquitetura religiosa de São Luís, o Convento das Mercês, teve 17 prédios condenados a desabamentos. Mesmo com ruínas e escoras externas o prédio, de número 446, abriga cinco famílias que resistem aos alertas do órgão responsável por avaliar o estado físico dos locais de riscos.

O destaque de segundo lugar na lista vai para a Rua do Giz, local que acolhe oito imóveis em situação de risco. Na terceira colocação esta a Rua da Estrela que ampara seis prédios dos 38. A Rua Afonso Pena englobou três dos prédios listados. Já a Rua dos Afogados (um), de Nazaré (um), do Egito (um) e da Saúde (um) também tiveram suas estruturas comprometidas.

O coordenador de Apoio Comunitário da Defesa Civil Municipal, Heitor Lindoso, alerta os moradores e transeuntes do local.  Segundo ele, as 38 estruturas avaliadas apontam problemas de desabamento, ruínas, abandono, rachaduras, infiltrações, telhados quebrados, fachadas comprometida, escoras apoiando as estruturas e a falta de limpeza interna e externa das áreas. Os prédios expõem a população aos mais diversificados problemas que podem comprometer a saúde em geral. Mas, o nosso papel é intermediar a população e aos órgãos competentes para que recorra a melhorias como ambientes adequado a esses seres, comenta.

Desocupação

De acordo com o coordenador, somente no ano passado, cerca de 30 famílias foram retiradas das próprias casas, em situações de riscos, e enviadas para abrigos provisórios. Ele ressalta que até hoje 10 famílias das 30 não conseguiram recuperar seus imóveis e, portanto, continuam em abrigos como escolas e associações. Sem o apoio dos órgãos competentes fica difícil trabalhar, mapear e identificar esses grupos que estão correndo risco. Temos que sensibilizar todos para que comecem a focar as atenções para essa realidade que já atinge todo o país, relembra.

No relatório da Defesa Civil, o prédio de maior preocupação é o de número 135, localizado na Rua de Nazaré. Segundo o coordenador, lá habitam 14 famílias, no total de 35 pessoas. Nós estamos sempre alertando do perigo de uma tragédia para todos os que se encontram nesta situação, mas onde existem crianças a preocupação e o cuidado é redobrado, ressalta. No prédio, as pessoas evitam conversar com a imprensa, mas em uma simples frase, uma mulher moradora, que gritava do segundo andar deste prédio resumia a motivo da aversão. Ficamos aqui na pior e ninguém faz nada. Todo o ano é isso, rebate a mulher que não se identificou.

Extensão do problema

No mês de dezembro, a Defesa Civil Municipal, também condenou 93 áreas de São Luís por apresentarem riscos de desabamentos e alagamentos. A avaliação, na época do superintendente de Defesa Civil Municipal, Herbert Rodrigues foi o resultado de um mapeamento em toda a capital.

Depois de traçar o perfil, onde pontos como Vila Marinha, Vila Progresso, Saviana, Jambeiro, Alto da esperança, Vila florestal e o Coroadinho, a defesa Civil contestou a permanência destas famílias nas áreas. De acordo com Herbert Rodrigues, as pessoas que se mantiverem nas localidades identificadas como de perigo, estão colocando em risco a própria vida. A Defesa pede retirada dos moradores das regiões citadas urgente, pois todos estão propícios a acidentes por estarem próximo a rios, córregos e barragens, disse o superintendente.

Morador do bairro Alto da Esperança, Ribamar Moraes, teve a estruturas da casa contestadas pela Defesa Civil. Ele reside exatamente na Rua do Profeta II, próximo a um canal que passa em uma via abaixo, onde, no mês de março deste ano, período chuvoso, os moradores foram obrigados a abandonar os seus lares devido o volume de água que invadiam as casas. Aqui nós vivemos um dilema, sempre com medo de que na próxima chuva tudo possa vim desmoronar, comenta.

As rachaduras surgem do solo e com elas a preocupação de quem mora a menos de três metros do perigo. O risco é de desabar, escorregar e até mesmo de um soterramento de crianças e pessoas que por lá trafegam.  Eu não aconselho ninguém a ficar aqui em período de chuva, ainda mais se for crianças brincando nas correntezas jorram por aqui, aponta Ribamar.

De acordo com o morador, desde o período chuvoso que as casa vem apresentando problemas como rachaduras, quebras de pisos e azulejos, além das infiltrações nos mais variados cantos da casa. Nós pensávamos que fosse parar os surgimentos das rachaduras, mas que nada, elas continuam a se alastrar, comenta.

Segundo os moradores, do bairro Alto Esperança, o local foi aterrado de forma irregular por isso a presença de rachaduras em grande parte do asfalto. Temos que saber qual será a verdadeira situação desta localidade. Saber que nós estamos correndo perigo, nós já sabemos, agora para onde vamos e como isso vai ser resolvido, ninguém respondeu ainda, disse um dos moradores que preferiu não divulgar o nome.  A situação de perigo e risco de moradia, não fica restrito a área Itaqui-Bacanaga. Do outro lado da ponte, próximo ao Vinhais, em uma periferia  de São Luís, as famílias também temem o período chuvoso.

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